sábado, 25 de julho de 2009

Raízes da esquizofrenia

São Paulo, 16 (AE) - Esquizofrenia e transtorno bipolar têm raízes genéticas semelhantes. A afirmação está em um estudo publicado na revista Nature, que traz outros dois artigos com resultados de pesquisas diferentes sobre a esquizofrenia. As três pesquisas apresentam diversas novidades a respeito da variação genética e do risco de desenvolver o conjunto de psicoses que tem sintomas como delírios persecutórios e alucinações, especialmente auditivas, e que atinge cerca de 1% da população.


Reunidos, os estudos, que cobriram análises de mais de 10 mil casos de esquizofrenia, descobriram uma extensa gama de variações genéticas que respondem por pelo menos um terço do risco de desenvolvimento da doença. Os pesquisadores do Consórcio Internacional de Esquizofrenia - fundado em 2006 e que reúne cientistas de 11 instituições na Europa e nos Estados Unidos - mostraram que variantes genéticas comuns estão por trás do risco de desenvolvimento da doença, na primeira evidência molecular de tal relação.


O estudo também apresenta evidência molecular de um componente poligênico para o risco da doença que envolve milhares de alelos comuns. Esses alelos, cada um com um pequeno efeito, também contribuem para o risco de desenvolvimento de transtorno bipolar.

Leia este assunto na íntegra na página da Abril, Raízes da esquizofrenia. Leia também no G1.

sábado, 27 de junho de 2009

São Paulo aprova projeto contra bullying na rede de ensino

A Câmara de São Paulo aprovou nesta quarta-feira, 24, em segunda discussão, projeto de lei do vereador Gabriel Chalita (PSDB) que combate a prática do bullying nas escolas públicas de ensino infantil, fundamental e médio de São Paulo. O projeto segue agora para a sanção do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

"Acredito que a principal ferramenta é a conscientização de que o problema existe. A partir do diagnóstico, da conscientização e da informação, podemos atuar de forma preventiva e apoiar os estudantes vítimas de bullying", observa o vereador tucano.

De acordo a propositura aprovada, um decreto vai regulamentar ações que serão colocadas em práticas como palestras, debates, distribuição de cartilhas de orientação aos pais, alunos e professores, entre outras iniciativas. Tudo para reforçar a conscientização sobre a importância de se combater o bullying na rede municipal.

Além disso, o projeto prevê que a secretaria Municipal de Educação faça um diagnóstico das situações de bullying, nas unidades escolares, bem como o seu constante acompanhamento, respeitando as medidas estabelecidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O termo bullying surgiu nos Estados Unidos para denotar atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir o outro.

Maiores informações: 11 7735-6311 - Assessoria do Vereador Gabriel Chalita

Para ler na Íntegra o projeto e a notícia, clique aqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Combate às drogas no mundo

A Organização das Nações Unidas publicou nesta quarta-feira, 24, seu relatório anual sobre as drogas. A data de publicação coincide com o Dia Mundial do Combate às Drogas, HOJE, 26.

O documento apresenta uma série de dados indicando que o combate às drogas surte efeito, ao contrário do que normalmente é dito. A produção de cocaína no mundo é a menor dos últimos cinco anos, e o enfrentamento funcionou em países como a Colômbia, o maior produtor da droga no mundo. Desde 2007 a produção de cocaína no país caiu 28%, o que o documento classifica como “impressionante”.

Segundo o diretor do Escritório de Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC), Antonio Maria Costa, a opção pela legalização é inexistente. “Drogas ilícitas são um perigo à saúde. É por isso que elas são, e devem continuar, ilícitas. A legalização não é uma varinha mágica que vá acabar com as máfias ou o vício”, afirmou. De acordo com ele, a política que surte efeito é o uso de inteligência e ações policiais contra os cartéis e ajuda para os usuários. “As pessoas que usam drogas precisam de ajuda médica, não de retaliação criminal”, disse.

No Brasil, chama a atenção o aumento no consumo de drogas sintéticas, como ecstasy. Esse crescimento é tendência nos países em desenvolvimento. O país também é apontado no décimo lugar entre os que mais apreendem cocaína. O relatório chama atenção para os crimes resultantes do tráfico de drogas, como a corrupção de policiais e políticos. Os países em desenvolvimento seriam os mais afetados por este tipo de crime, pois muitas instituições ainda não estariam sólidas.

Dia Mundial do Combate às Drogas

Neste ano a ONU deixou o debate mais próximo da população. Pela primeira vez é possível acessar o relatório por uma variedade de meios. O documento de 314 páginas está disponível no site da UNODC para visualização e download em PDF.

Como parte do debate, o UNODC lançou uma campanha para o Dia Mundial do Combate às Drogas. Com o tema “As drogas controlam sua vida? Sua vida. Sua comunidade. Sem lugar para as drogas”, o Escritório elaborou uma série de eventos no mundo todo.

No Brasil, do dia 19 até o dia 26 de junho, a Secretaria Nacional Antidrogas faz a Semana Nacional de Prevenção ao Uso de Drogas, em sua décima primeira edição. O portal da World Drug Campaign traz a programação completa de eventos no mundo todo. O site apresenta iniciativas positivas, como a do Peru. O país, que era nos anos 90 o maior produtor de coca, conseguiu diversificar sua produção agrícola. Apesar de registrar um aumento em sua produção de 2007, o país é um exemplo para nações como o Afeganistão, que cultiva 93% do ópio mundial.

Para baixar o documento (em inglês) e ler a notícia completa, clique aqui.

Fonte: Opinião e Notícia

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Mirtazapina pode aumentar segurança ao volante para pacientes deprimidos

Pacientes com depressão dirigem com maior segurança quando tratados com mirtazapina, um antidepressivo sedativo, de acordo com resultados no Journal of Clinical Psychiatry.

“Já foi demonstrado que determinados antidepressivos causam dano ao funcionamento psicomotor que é relevante para o desempenho ao volante”, escrevem Dr. Jianhua Shen, da University of Toronto, Ontário, Canadá, e colaboradores. Mirtazapina tem sido associada “a aprimoramentos na eficiência do sono e à preservação de sua arquitetura”, ressaltam eles. “Há relatos de que este medicamento melhora o estado de alerta durante o dia”.

“O efeito agregado da mirtazapina sobre a direção de veículos é de aumentar sua segurança”, concluem os pesquisadores. “Precisa-se de um próximo estudo comparando este medicamento com outros antidepressivos, a fim de esclarecer os possíveis mecanismos da mirtazapina, relacionados com o sono, que promovem esse efeito sobre a direção”.

Leia a notícia na íntegra, aqui.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

As melhores formas de evitar problemas mentais

Embora haja evidências de que genes ou doenças possam aumentar o risco de perda de memória, ainda há muitas formas de evitar que o cérebro envelheça.

Foi o que descobriram pesquisadores norte-americanos. Eles afirmam que os exercícios são fundamentais e dão destaque para atividades mentais e vida social.

De acordo com os pesquisadores, quanto mais tempo as pessoas estudam, menores são as chances de elas desenvolverem problemas mentais. Além disto, aqueles que não fumam também têm menos chances de desenvolverem problemas deste tipo.

Sabe-se que 53% das pessoas apresentam um pequeno declínio mental nas faixas dos 70 e dos 80 anos, e cerca de 16% desenvolvem problemas mais graves relacionados à memória e outras funções mentais à medida que envelhecem.

Fonte: Opinião e Notícia.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Aumento na prevalência de depressão em diabéticos tipo 1

Segundo dados publicados nas 69ª Sessões Científicas da American Diabetes Association (ADA), adultos com diabetes tipo 1 relatam mais sintomas de depressão e maior uso de medicamentos antidepressivos do que adultos sem a doença.

O Dr. David Maahs, aliado ao University of Colorado Health Science Center em Denver, e colaboradores avaliaram a prevalência de depressão e uso de medicamentos antidepressivos em 458 adultos com diabetes tipo 1 e 546 adultos sem diabetes.

Todos os indivíduos foram incluídos no estudo CACTI (Calcificação Arterial Coronariana no Diabetes Tipo 1), que avaliou fatores relacionados à resistência insulínica em relação à calcificação arterial coronariana em diabéticos tipo 1 assintomáticos.

Na presente análise, a depressão foi confirmada por um escore > 14 no Beck Depression Inventory II (BDI-II), e/ou uso atual de antidepressivo relatado. As complicações do diabetes foram auto-relatadas e incluíram retinopatia, amaurose, neuropatia, amputação devido ao diabetes e transplante de rim e pâncreas.

Os resultados evidenciaram que adultos com diabetes tipo 1 apresentavam chance maior que duas vezes de sofrerem de depressão do que aqueles sem a doença (odds ratio, 2,4) e quase três vezes mais chances de apresentarem um escore clinicamente significativo no BDI-II. Pacientes adultos com diabetes tipo 1 também apresentavam quase duas vezes mais chances de utilizarem medicamentos antidepressivos do que os não-diabéticos (20.7% vs. 12.1%).

Ao todo, a prevalência de indicadores de depressão em diabéticos tipo 1 foi de 32,1%, comparados aos 16,0% em não-diabéticos.

O estudo também descobriu uma associação entre depressão e complicações do diabetes. Diabéticos tipo 1 que referiram a presença de ao menos uma complicação do diabetes apresentaram escores significativamente maiores no BDI-II do que os diabéticos sem quaisquer complicações (10,7 versus 6,4).

A depressão não tratada tente a se tornar crônica ou levar a recidivas, observaram os pesquisadores em sua apresentação de pôsteres, e os médicos devem objetivar a varredura rigorosa dos pacientes com diabetes tipo 1 para depressão. Em particular, a varredura deve visar os pacientes com complicações do diabetes visto que estes possuem maior chance de apresentar os sintomas depressivos, disseram eles.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Britânicos criam novo teste para ajudar a identificar demência

Um novo teste elaborado para avaliar a agilidade mental de um paciente pode ajudar a detectar o Mal de Alzheimer com maior precisão do que os testes tradicionais, de acordo com pesquisadores britânicos.

O questionário com duas páginas pode ser preenchido pelos próprios pacientes na sala de espera de consultórios médicos ou de hospitais.

O chamado "Teste Sua Memória" (TYM, na sigla em inglês) inclui uma série de dez tarefas que têm o objetivo de avaliar habilidades-chave que podem ser afetadas pela doença, como a de copiar uma sentença, usar as palavras apropriadamente, empregar aritmética básica ou usar a memória.

Jeremy Brown, neurologista do Hospital Addenbrooke, em Cambridge, onde o teste foi desenvolvido, disse que o TYM detectou Alzheimer em 93% dos pacientes em um teste com 540 pessoas saudáveis e 139 pessoas já diagnosticadas com a doença. O teste tradicional, conhecido como Mini-Avaliação do Estado Mental (MMSE, na sigla em inglês), revelou a presença da doença em apenas 52% dos pacientes.

"É um novo teste de triagem para o mal de Alzheimer", disse Brown. "Não é um teste para diagnóstico mas poderá permitir uma triagem rápida de pacientes com problemas de memória e identificar os que precisam ser enviados para uma avaliação mais detalhada."

"O atual teste-padrão (...) vem sendo usado há 50 anos e leva cerca de oito minutos para ser concluído. Ele não é particularmente sensível para detectar o mal de Alzheimer."

O especialista acredita ainda que este teste pode ser muito mais fácil de aplicar em pessoas que não têm o inglês como língua nativa.

Entre as perguntas do TYM estão: "O que uma cenoura e uma batata têm em comum"?; "Desenhe os ponteiros para que o relógio marque 9h20"; "Em que ano a Primeira Guerra Mundial começou?"; ou "Escreva os nomes de quatro animais que comecem com a letra 'S'".

Em aritmética, pede-se que o paciente faça contas simples de adição, subtração e multiplicação.

O novo teste foi apresentado na revista BMJ Online.

Rebecca Wood, diretora executiva da ONG Alzheimer's Research Trust, disse que o novo teste é um grande passo nos esforços para identificar sinais prematuros de demência.

Wood acredita que dois terços das pessoas que desenvolveram o mal não foram diagnosticadas imediatamente.

Fonte: Psique On Line

terça-feira, 16 de junho de 2009

O poder calmante do cigarro, apesar de nocivo

Uma das justificativas comuns dos fumantes para manter o hábito é que o cigarro alivia o stress.

E parece que eles têm razão. Segundo um estudo publicado na revista Behavioral and Brain Functions, essa informação é verdadeira. A pesquisa mostra que a nicotina tem mesmo efeito calmante. No experimento, os voluntários participaram de um jogo eletrônico no qual o objetivo era enfurecê-los. Os que tinham recebido adesivos de nicotina foram menos propensos a retaliar as provocações do inimigo virtual. O efeito se explica, segundo os autores, porque a nicotina provocou mudanças no metabolismo cerebral em áreas associadas ao planejamento (córtex pré-frontal) e ao processamento de estímulos emocionais (sistema límbico).

Os resultados apóiam a hipótese de que pessoas que se irritam mais facilmente são mais suscetíveis aos efeitos da substância e, logo, estão mais propensas a se tornar dependentes do tabaco. Para os autores, essa informação é relevante para aperfeiçoar as estratégias usadas em terapias comportamentais de suspensão do tabagismo.

Segundo os especialistas, orientar ex-fumantes para gerenciar melhor sua raiva em situações críticas pode promover alterações corticais e no sistema límbico, diminuindo os efeitos da abstinência e o risco de recaídas.

Fonte: Site da Revista Mente e Cérebro

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Reforma Psiquiátrica produz desassistência e morte

O número de mortes de doentes mentais cresceu 41% no país nos últimos anos. No mesmo período, um quarto dos leitos psiquiátricos foi fechado, sem uma contrapartida de criação de serviços de atendimento alternativos. São dados de um preocupante indicador: à desativação de leitos e à política antimanicomial em curso — fruto de distorcida visão segundo a qual, grosso modo, deve-se acabar com a internação em hospitais psiquiátricos — não sobreveio um programa para dotar os serviços de saúde mental de condições de dar conta das demandas.

Em decorrência, vive-se um quadro dramático. Nos últimos 20 anos, o governo brasileiro fechou 70% dos leitos psiquiátricos, gerando uma economia nos gastos com a manutenção desse tipo de serviço que não se reverteu no atendimento a doentes mentais. Um estudo da Associação Brasileira de Psiquiatria aponta que, neste período, houve corte de dois terços da verba para a área, e o investimento, que era de 5,8% do orçamento do Ministério da Saúde em 1995, caiu para 2,3%, em média, nesta década.

O resultado é palpável: o país, com 16,5 milhões de doentes que precisam de internação, em vez de investir na criação de leitos e vagas na rede de saúde, optou pela contramão, ao fechar hospitais psiquiátricos. O drama, evidentemente, é potencializado nos estratos mais baixos da sociedade, que não dispõem de recursos para cuidar dos seus doentes em casa ou em clínicas especializadas.

Quem lida no dia a dia com as dificuldades de conviver com um parente que sofre de problemas mentais tem a dimensão do problema — que, expresso pelo arrolamento de números frios, se torna visível nas ruas. Incontáveis famílias, sem condições econômicas de manter seus doentes, sem ter como tratá-los e sem opções de internação, optam por abandoná-los à sorte, o que, não raro, equivale a uma condenação à morte.

Acabar com o atendimento psiquiátrico fechado pode ser um objetivo desejável. Mas isso não se faz voltando as costas para a realidade do país, da qual salta um quadro aterrador, a ser enfrentado com uma política de saúde mental responsável, em condições de fazer frente a um problema que leva o drama dos doentes psiquiátricos para o interior de milhões de famílias.

Aumentar o contencioso dos serviços públicos de saúde, com o fechamento de hospitais psiquiátricos em vez de abrir novas unidades, é medida que atende a opções ideológicas, mas passa ao largo da solução do problema.

Fonte: O GLOBO

domingo, 14 de junho de 2009

Um quinto dos casos de intoxicação são tentativas de suicídio

Segundo levantamento da Fiocruz, 60 pessoas por dia tentam se matar por envenamento no Brasil. Maioria dos casos envolve uso de remédios

Em um ano, mais de 20 mil pessoas tentam se matar ingerindo substâncias tóxicas. Cerca de 60% utilizam medicamentos, e o resto das tentativas dividem-se entre a ingestão de raticidas e agrotóxicos. Esses dados foram divulgados nesta segunda-feira (8) pelo Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

As informações são de 2007, quando foram registrados 23.243 casos de intoxicações suicidas. Isso representa 21,4% dos 108.405 envenamentos daquele ano. E dos 479 casos que terminaram em óbito, mais da metade foi notificada como suicídio. Rosany Bochner, coordenadora do Sinitox, diz que as tentativas de suicídio são um problema grave. “É uma coisa complicada de lidar, tem agente tóxico por aí que é barato, de fácil acesso e de alta letalidade, ou seja, difícil de controlar”, afirma.

Segundo Rosany, dos 37 Centros de Informação e Assistência Toxicológica espalhados pelo país, apenas uma minoria conta com psicólogos em suas equipes. “Uma pessoa que se intoxica querendo dar fim à vida, mesmo que seja curada, geralmente vai tentar de novo se não receber aconselhamento apropriado”, diz Rosany. O tratamento psicológico, afirma, é a melhor saída para diminuir o número de atentados contra a própria vida. Apesar de ser um quinto dos casos de envenenamento, o suicídio foi a causa de mais de metade das mortes.

Junto com Carlos Eduardo Estellita-Lins, pesquisador da Fiocruz, Rosany tem um projeto de estudar os casos de suicídio no Brasil, e aliar a psiquiatria ao seu trabalho. “O homem dá menos indícios de que quer se matar, mas, quando se mata, utiliza agentes tóxicos mais letais. Já a mulher demonstra maior mudança de comportamento, porém utiliza agentes menos tóxicos, como remédios”, aponta ela.

Maioria dos casos de intoxicação ocorre com medicamentos

Em 2007, o Sinitox registrou 4.355 intoxicações a menos que no ano anterior. A queda ocorreu porque menos Centros de Informação e Assistência Toxicológica forneceram dados para a pesquisa. De um total de 37 centros, apenas 29 colaboraram, dois a menos que em 2006. A falta de adesão dos centros é um problema que atinge também outras áreas de pesquisa, como a da aids, e dificulta a identificação de tendências.

Mesmo assim, algumas conclusões do relatório podem direcionar políticas de conscientização da população. Os medicamentos estão envolvidos em 30% dos casos de intoxicação, independentemente das circunstâncias. O que gera isso é a forma banal como são tratados, diz Rosany.

Por causa do descuido, a faixa etária mais atingida por agentes tóxicos é de 1 a 4 anos. “As pessoas têm cerca de 20 medicamentos diferentes em casa, muitos mal utilizados e, pior, mal guardados”, afirma. Para esses tipos de intoxicação, Rosany diz que a prevenção é possível com mais campanhas de alerta aos pais, como mensagens obrigatórias em propagandas e rótulos.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Rivotril: a tarja preta mais vendida no País

Na lista dos remédios mais vendidos no País nos últimos 12 meses, o ansiolítico Rivotril está em segundo lugar, de acordo com o Instituto IMS Health, que audita a indústria farmacêutica. O remédio perde apenas para o anticoncepcional Microvlar. Considerando apenas os medicamentos de tarja preta, ele é o primeiro da lista.

A alta no consumo de um remédio, que só pode ser vendido com retenção da receita, é assunto polêmico entre a classe médica. Especialistas ouvidos pela reportagem do Último Segundo apontam pelo menos três fatores para explicar este consumo exagerado: uma preocupação maior com a saúde mental, a falta de consciência de alguns pacientes que ignoram a recomendação médica e o despreparo de parte dos profissionais de saúde.

Segundo o psiquiatra Edson Capone de Moraes Junior, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), o modelo médico existente, que separa corpo e mente, contribui para o aumento nas prescrições do Rivotril. “Ao invés de atuar no problema, trata-se a consequência”, diz. “Há médicos que não diferenciam quadros de depressão, ansiedade e psicose, e para todos indicam o mesmo remédio”.

O psiquiatra afirma que o Rivotril – há 35 anos no mercado - passou a ser considerado uma das opções mais “seguras” pelos médicos por ter boa tolerância no organismo. “Você não erra muito. Ele é facilmente aceito pelos pacientes”, afirma, acrescentando que, se houvesse psiquiatras para realizar o diagnóstico correto, não seria necessário tanto Rivotril.

“Alguns médicos quando se deparam com pacientes com distúrbios mentais é comum iniciarem o tratamento com um ansiolítico. Então, se não resolvem o problema, passam para um antidepressivo”, afirma.

O psiquiatra e psicanalista Plinio Montagna, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, acrescenta ainda que, graças aos “bilhões de dólares injetados na publicidade de laboratórios farmacêuticos”, hoje não existe mais o receio em tomar uma medicação para distúrbios psiquiátricos. “Existe até certa glamorização da medicação”, considera.

Uso controlado

Para o Rivotril, não há consenso sobre o tempo seguro de uso. A dependência ao medicamento varia conforme a dose e a predisposição do paciente, mas, segundo Junior, o uso não deve passar de quatro meses. “Se o paciente é extremamente ansioso não posso tratá-lo com Rivotril a vida inteira”, afirma.

O Rivotril tem cinco ações principais no organismo. Serve como anticonvulsivante para casos de epilepsia, relaxante muscular, ansiolítico, hipnótico e sedativo, sendo que, na visão de Junior, são as três últimas funções que impulsionaram as suas vendas.

A princípio, ele era divulgado entre a classe médica apenas como um anticonvulsivante, sendo os seus demais usos conhecidos e ampliados nos últimos anos.

O medicamento é da classe dos benzodiazepínicos, como Lexotan, Valium, Diazepam e Frontal, e tem como princípio ativo o clonazepam. Junior explica que a substância é absorvida pelo organismo, passa pela circulação sanguínea e age em um sistema chamado Gabaérgico, inibindo a atividade cerebral e acalmando. “Ele é um dos mais potentes. Se tiver três benzodiazepínicos concorrendo no seu cérebro, ele chega primeiro”, afirma.

No entanto, Junior esclarece que apenas para casos de epilepsia ele é usado sozinho. Em casos de depressão e transtorno bipolar, por exemplo, é apenas adjuvante e serve para complementar o tratamento principal.

“Não vivo sem”

Mas muitos ignoram o uso correto do medicamento. A funcionária pública Luana Cardoso, de 24 anos, de Porto Alegre, é um exemplo de paciente que não segue o prescrito pelo médico. Ela afirma que toma Rivotril há seis anos “entre idas e vindas” e "faz de conta que segue as recomendações médicas", mas, na verdade, administra do seu jeito.

Após ter tido uma Síndrome do Pânico, o psiquiatra recomendou que tomasse dois comprimidos de Rivotril por dia, um pela manhã e outro à noite. Mas Luana só faz isso de segunda à quinta-feira. Aos finais de semana, não toma para poder ingerir bebida alcoólica. “Minha família toda usa Rivotril e como já vi o que acontece com quem usa e bebe prefiro não arriscar”, afirma. O medicamento potencializa o efeito do álcool e, em doses muito altas, pode levar ao coma. “O médico sempre diz que não o engano, só estou me enganando, mas não vou viver mais ou menos por causa de um remédio”, diz.

Um dos sinais de tolerância do corpo ao remédio é precisar de doses cada vez maiores para alcançar o efeito desejado, além do que o psiquiatra Junior chama de “necessidade subjetiva” do uso da substância. “Antes, o paciente tomava quando estava muito nervoso. Depois, a qualquer sinal de ansiedade”, afirma.

O estudante V.G.A, de 23 anos, é um dos que diz não conseguir mais viver sem o remédio. Começou a tomar há três anos por indicação do médico, após ter um surto psicótico, provocado, principalmente, segundo ele, pelo uso assíduo de maconha. “Era uma pessoa ansiosa e tinha sintomas de depressão, mas a cannabis mascarava isso”, considera.

Após o surto, quando V.G.A afirma que teve “pensamentos absurdos e mania de perseguição”, o médico o receitou um antidepressivo e 6 gotas de Rivotril por dia. “Hoje estou tomando 25 gotas por conta própria, à noite. Não durmo caso não tome. Me considero viciado”, conta.

O bancário e estudante de psicologia Danilo Perucci, de 22 anos, também não vive sem o remédio. Ele procurou um psiquiatra após ficar com insônia por problemas familiares. Para o sono, recebeu uma caixinha de Rivotril. Hoje, admite que faz um uso “cíclico” do medicamento, toma seis meses e para seis, sem seguir qualquer recomendação. “Uso por conta própria, só retorno para pegar outra receita”, confessa.

Perucci, que se diz “dependente psicológico” do remédio, afirma que nunca teve problemas para conseguir novas cartelas. “Eu vario entre três psiquiatras do meu plano de saúde que me receitam Rivotril sem muitas perguntas”, conta.

Saúde em risco

A partir de dois meses, médicos dizem que o uso deve estar sob constante monitoramento. Além da dependência química, que é o maior dos riscos e pode ser irreversível, o uso contínuo por anos pode causar perda de memória, irritabilidade e até mesmo depressão. Durante a gravidez, pode até mesmo causar aborto. “Como todos os sedativos do sistema nervoso central, em doses muito altas podem causar sonolência, reflexos diminuídos, confusão, coma, parada respiratória e, no extremo, morte. Mas as doses precisam ser muitíssimo altas”, acrescenta Montagna.

Para quem resolve parar com Rivotril o caminho nem sempre é fácil. O estudante de direito Luiz Roberto Blum, de 26 anos, demorou seis meses para conseguir. “Um psiquiatra me disse: ‘pare de tomar hoje’, mas eu não consegui ficar um dia sem. Tive sintomas de pânico e náuseas”, revela.

Aos poucos, Blum conseguiu substituir o remédio por outro ansiolítico, mas demorou seis meses para conseguir parar completamente. “O médico sempre me dizia para tomar somente quando necessário, o problema era que eu sempre achava necessário”, lembra.

Ansiedade necessária

De acordo com psiquiatras, a linha que separa a ansiedade natural daquela que deve ser tratada é delicada e, caso não seja avaliada com cuidado, o paciente corre o risco de eliminar emoções importantes para o desenvolvimento da mente. “Certo grau de ansiedade é necessário e inerente à condição humana”, afirma Junior.

Montagna completa que a ansiedade funciona como propulsora da ação e do pensamento. “É uma espécie de combustível para o funcionamento do ego. Podemos compará-la com a tensão das cordas de um violão. Se estão muito frouxas, não sai música. Se muito estiradas, podem até romper-se e também não haverá música. Num grau de tensão ótimo, aí, sim, podemos extrair música”, explica.

Mesmo quando considerada uma doença, os especialistas concordam em dizer que nem sempre o tratamento com remédios é a melhor opção. É preciso verificar os motivos que estão causando a ansiedade e atuar neles. “Muitas pessoas acham que tomando drogas de última geração estão sendo bem tratadas, mas, muitas vezes, é preciso diminuir as dosagens para que o paciente tenha outra dimensão do que acontece. A psicanálise pode ser bastante útil nesses casos”, completa Montagna.

Ranking dos medicamentos mais vendidos no País

Até Março de 2009
1° Microvlar
2° Rivotril
3° Puran T-4
4° Hipoglos Nf
5° Buscopan Composto
6° Neosaldina
7° Salonpas
8° Novalgina
9° Ciclo 21
10° Sal De Eno
2008
1° Microvlar
2° Rivotril
3° Puran T-4
4° Hipoglos Nf
5° Neosaldina
6° Buscopan Composto
7° Salonpas
8° Tylenol
9° Novalgina
10° Ciclo 21
2004

1° Microvlar
2° Neosaldina
3° Hipoglos Nf
4° Buscopan Composto
5° Novalgina
6° Rivotril
7° Tylenol
8° Cataflam
9° Neovlar
10° Luftal
Fonte: Último Segundo

quinta-feira, 11 de junho de 2009

EUA divulgam lista de remédios suspeitos de causar danos à saúde

A partir de agora, a agência americana que regula remédios e alimentos (FDA, na sigla em inglês) vai divulgar trimestralmente a relação de medicamentos suspeitos de provocar danos à saúde. Da primeira lista, a maioria é comercializada no Brasil.

A agência americana que regula remédios e alimentos (FDA) decidiu divulgar a cada três meses a lista de remédios suspeitos de provocar danos à saúde. A primeira relação, com 20 medicamentos, foi apresentada na última sexta-feira (confira a tabela ao fim do texto). São drogas que já estão no mercado, mas cuja segurança está sendo reavaliada. A FDA decidiu investigá-las depois de receber relatos de problemas comunicados por médicos, pacientes e pela indústria farmacêutica.

A FDA divulgará os nomes dos produtos e o tipo de efeito adverso observado. Não tornará público o número de reclamações recebidas nem a gravidade dos problemas observados. Remédios que aparecem na lista não são necessariamente inseguros – pelo menos nessa etapa da investigação. Em alguns casos, os problemas observados não são provocados propriamente pelas substâncias – e sim por embalagens e bulas confusas que podem levar ao consumo excessivo dos remédios.

No ano passado, a agência recebeu 482 mil relatos de reações potencialmente relacionadas ao uso de remédios. A maioria, segundo as autoridades, eram alarmes falsos. Não foi comprovada a relação entre os problemas relatados e as drogas usadas pelos pacientes. Nos últimos anos, a FDA vem sendo muito criticada pela demora em alertar a população sobre riscos potenciais de algumas drogas. A mudança é uma reação a essas críticas.

A novidade pode produzir dois efeitos: um bom e outro ruim. Ao alertar o público precocemente sobre problemas relacionados a determinados remédios, a agência pode evitar que mais pessoas sejam prejudicadas pelo medicamento. Mas a divulgação trimestral da lista pode provocar pânico. Muita gente pode deixar de tomar os remédios por conta própria – antes mesmo que fique comprovado que eles expõem a população a riscos. Nesse caso, a interrupção do tratamento pode ser tão ou mais nociva do que os potenciais efeitos adversos.

Divulgaremos neste blog apenas os remédios psiquiátricos sob investigação. Os dois medicamentos são vendidos no Brasil:

PRODUTO - RISCO POTENCIAL SOB INVESTIGAÇÃO

Cymbalta - Retenção urinária
Seroquel - Embalagem pode provocar confusão


*Cymbalta (duloxetina): antidepressivo
*Seroquel (quetiapina): antipsicótico

Para ver a lista completa de medicamentos, clique aqui.

Fonte: Revista ÉPOCA

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A nova onda dos remédios para o cérebro

"Maurício não é um workaholic. Engenheiro de 40 anos, gerente de uma seguradora, ele acredita que a esta altura da vida tem direito a aproveitar suas horas livres nas baladas, viagens, leituras, esportes e namoros. É por isso que ele toma Ritalina, um remédio indicado para portadores de síndrome de deficit de atenção (TDAH). Maurício não sofre de deficit de atenção. Mas diz que, quando toma a droga, sua capacidade de concentração aumenta e ele trabalha seis horas sem intervalos. “Sou chefe de 40 funcionários e preciso funcionar a qualquer custo.”

Maurício (o nome é fictício, para proteger sua identidade) diz tomar Ritalina apenas uma vez por semana, quando seus prazos para a entrega de relatórios apertam. Ele afirma que a droga o ajuda a encarar planilhas recheadas de números, elaborar relatórios com rapidez e falar com desinibição em reuniões. “Como me recuso a trabalhar mais de nove horas por dia, preciso render mais nesse tempo.” Ritalina é um remédio de tarja negra. Deveria ser consumido apenas por pessoas que precisam dele e têm uma receita médica para provar isso. Mas conseguir a receita não é muito difícil. Maurício obteve a sua de um amigo psiquiatra. Outros usuários pesquisam os sintomas conhecidos do deficit de atenção, marcam consulta com um psiquiatra e dizem sentir aquilo. Alguns compram cartelas de amigos. Ou pela internet.

A Ritalina – que atua como um estimulante do sistema nervoso central – está longe de ser a única droga usada para incrementar a eficiência do cérebro. Há milênios o ser humano testa receitas de vários tipos. Entre aquelas em voga hoje está o Gingko biloba (uma erva de origem chinesa que supostamente melhora a circulação de sangue no cérebro e a transmissão de impulsos entre os neurônios), a cafeína (um estimulante que melhora a concentração), a nicotina e diversas anfetaminas. Também vem ganhando adeptos no mundo um estimulante genericamente conhecido como modafinil, desenvolvido para tratar narcolepsia (uma sensação de sonolência exagerada). O modafinil, assim como o café, restaura o desempenho cognitivo em pessoas com sinais de fadiga.

Segundo uma recente pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, cientistas de diversos laboratórios estão trabalhando em mais de 600 drogas para distúrbios neurológicos. A maioria delas deverá ser reprovada pelos órgãos reguladores de saúde, mas é provável que muitas estejam em farmácias do mundo inteiro nos próximos anos. Cada uma dessas drogas mexe com algum dos processos químicos que regulam a atenção, a percepção, o aprendizado, a memória recente, a memória de fundo, a capacidade de tomar decisões, a linguagem. Espera-se que, com elas, pacientes com deficiências como Alzheimer, demência ou deficit de atenção consigam levar uma vida mais próxima do normal. Mas remédios desse tipo costumam atrair um mercado bem além do seu público-alvo original.

“O uso das drogas psicoativas por indivíduos saudáveis vai se tornar um evento crescente em nossa vida”, disse o pesquisador Gabriel Horn, que liderou a pesquisa de Cambridge. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Viagra e seus congêneres."

Fonte: Revista ÉPOCA

terça-feira, 9 de junho de 2009

Testes mascaram ineficácia de antidepressivos

Estudo publicado no American Journal of Psychiatry mostra que a forma como as companhias farmacêuticas conduzem seus testes clínicos transmite uma expectativa otimista demais para o tratamento da depressão

Depois de uma década em que os antidepressivos ganharam enorme popularidade no mundo ocidental – chegando a registrar um aumento de venda de 42% entre 2003 e 2007 no Brasil e de 48% entre 1995 e 2002 nos Estados Unidos –, a eficácia desses remédios está sendo questionada por vários estudos em publicações médicas, segundo os quais boa parte dos benefícios advém do efeito placebo e alguns dos medicamentos mais famosos parecem funcionar apenas em graus leves de depressão. Em meio a esse quebra-cabeça de informações, uma pesquisa publicada em abril no American Journal of Psychiatry contribuiu com uma peça fundamental para esclarecer por que é crescente a impressão de que os antidepressivos não são tão eficazes: eles são testados em um grupo limitadíssimo de pacientes, que não representa uma fração significativa do mundo real.

A eficácia dos antidepressivos prevista nas bulas é medida por testes clínicos realizados pelas empresas farmacêuticas e que servem como base para a criteriosa Food and Drug Administration (FDA), a vigilância sanitária dos EUA, aprovar sua venda. Os testes, segundo o estudo, são bastante restritos quanto à escolha dos pacientes e acabam excluindo pessoas com comorbidades, ou seja, que sofrem de duas doenças ao mesmo tempo. Não participa, por exemplo, quem tem depressão e problemas cardíacos, ou mesmo depressão combinada com outras doenças psiquiátricas, como distúrbios de ansiedade. Partindo do princípio de que os testes são pouco representativos, o novo estudo, realizado por 11 pesquisadores liderados por Stephen Wisniewski, da Universidade de Pittsburgh, mostrou que esse aspecto mascara a eficácia dos antidepressivos, ou a falta dela.

“O que nós fizemos foi prescrever o mesmo tratamento dos testes em uma população que sabíamos ser mais abrangente”, disse Wisniewski a ÉPOCA. “E os resultados mostraram grande diferença”, afirma. A base para o estudo foi o projeto STAR*D, sigla de Alternativas de Tratamento Sequenciado para Aliviar a Depressão, financiado pelo governo americano e que coletou dados de 41 instituições psiquiátricas entre 2001 e 2004. Entre os excluídos estavam apenas mulheres grávidas e pessoas com distúrbios convulsivos e outras doenças agudas. Após a avaliação do perfil dos pacientes do STAR*D, surgiu a primeira descoberta significativa – 77,8% deles não poderiam participar dos testes feitos pela indústria farmacêutica.

Os pacientes, em seguida, foram divididos em dois grupos. O grupo de “não-eficácia” era formado pelas pessoas que teriam sido excluídas dos testes mais rígidos e o outro, da “eficácia”, tinha os 22,2% que passariam no filtro da indústria farmacêutica. Submetidos ao mesmo tratamento, com o Citalopram, um antidepressivo inibidor de recaptação de serotonina vendido no Brasil com os nomes comerciais de Cipramil, Procimax, Citta, Alcytam e Maxapran, os grupos tiveram resultados muito diferentes. O grupo de “eficácia” teve melhora em 51,6% dos casos, e o de “não-eficácia”, além de responder ao tratamento com mais demora, registrou melhoras em apenas 39,1% dos casos. Desta forma, dizem os pesquisadores no estudo, “a conclusão sugere que os testes atuais têm um resultado mais otimista do que é provável na prática e a duração do tratamento sugerida pode ser muito pequena”.

Assim, diante desses resultados, surge a questão: o que leva as indústrias farmacêuticas a fazerem testes tão restritos? Segundo Wisniewski, é o custo médico que testes mais abrangentes teriam. “Os resultados mostraram que o grupo de “não-eficácia” também teve uma taxa maior de efeitos colaterais graves”, afirma. “Se as empresas fizerem testes em grupos mais abrangentes, elas vão colocar um número maior de pessoas sob esse risco”, diz. “Um cenário possível, por exemplo, é um paciente entrar em um estado maníaco com a administração do medicamento."

Assim, enquanto a indústria farmacêutica não cria uma nova geração de antidepressivos, ou ao menos um método para ampliar a base de suas pesquisas sem aumentar o risco de efeitos colaterais graves, resolver esse problema fica a cargo dos médicos que vão prescrever esse tipo de medicamento. “Eles devem saber em qual população o remédio foi testado para ganhar a aprovação da FDA antes de passar o tratamento”, diz. “É preciso verificar se o paciente pode ser incluído nesse universo e, aí sim, o médico apresentaria as probabilidades mais realistas de resultados e de tempo de tratamento para o paciente”, afirma.

Os antidepressivos são um avanço extraordinário, diz o psiquiatra paulista Renato Del Sant, diretor do Hospital Dia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. “Mas, para receitá-los, é preciso uma avaliação longa e precisa. Hoje, os psiquiatras estão mais preocupados em acompanhar os avanços da neurociência do que em se debruçar no histórico do paciente, muitas vezes até por falta de tempo. Por isso, o diagnóstico está cada vez mais superficial.”

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Maior parte de adolescentes americanos com depressão não está sendo tratada

Nova pesquisa demonstra uma proporção significativa de adolescentes americanos com depressão que não está sendo tratada.

Com base em uma pesquisa de âmbito nacional realizada em 2007, uma publicação da Substance Abuse and Mental Health Services Administration (SAMHSA) demonstra que adolescentes sem seguro saúde apresentavam uma probabilidade de obter tratamento menor do que a metade daqueles cobertos por Medicaid/Children's Health Insurance Program (CHIP) ou por planos de saúde particulares.

Além disso, a pesquisa revela que 8,2% (dois milhões) dos adolescentes entre 12 e 17 anos de idade sofreram, pelo menos, um episódio de depressão maior (EDM), no ano anterior. Somente 40% destes receberam tratamento, de acordo com o relatório da SAMHSA.

“Esta publicação contribui com a crescente conscientização de que se precisa fazer muito mais para suprir as enormes necessidades relacionadas com a saúde mental de nossos jovens”, disse o administrador suplente da organização, Eric Broderick, DDS, em uma declaração.

“Este relatório, juntamente ao decreto do Mental Health Parity and Addiction Equity Act e à recente e marcante publicação do National Research Council and Institute of Medicine sobre saúde mental infantil, destaca a crescente preocupação e o compromisso da nossa nação em atenuar o prejuízo e o sofrimento gerados pelo não tratamento de transtornos mentais para as crianças, assim como para suas famílias e comunidades”, acrescentou ele.

A publicação também evidenciou que a cobertura por seguro saúde foi o que mais determinou se os adolescentes com, no mínimo, um episódio de depressão maior recebiam ou não tratamento, no último ano. Entre os indivíduos nesta faixa etária, aqueles não cobertos apresentavam probabilidade muito menor de serem tratados (17,2%), do que aqueles com cobertura por Medicaid/CHIP (42,9%) ou por planos de saúde particulares (40,6%).

O relatório revelou ainda que, entre os adolescentes tratados:

* 58,8% viram ou conversaram com um orientador.
* 36,8% viram ou conversaram com um psicólogo.
* 27,3% viram ou conversaram com um psiquiatra ou com um psicoterapêuta.
* 26,6% viram ou conversaram com um clínico geral ou com um médico de família.

O trabalho foi elaborado a partir da pesquisa National Survey on Drug Use and Health de 2007, que coletou dados de uma amostra representativa de, aproximadamente, 22.000 adolescentes por todos os Estados Unidos.

Fonte: Med Center

domingo, 7 de junho de 2009

Aprovada lei de discriminação contra pessoas que sofrem de doenças mentais

Foi aprovado recentemente o projeto de Lei da Dep. Érika Kokay:

Projeto de Lei - PL-854/2008

Estabelece aplicação de sanções aos que praticarem, no âmbito do Distrito Federal, atos de discriminação contra as pessoas cometidas de transtorno mental.

Art. 1°. Serão aplicadas sanções às pessoas físicas e jurídicas que, por qualquer meio ou forma, praticarem atos de discriminação em relação às pessoas acometidas de transtorno mental.

Parágrafo único. Considera-se acometida de transtorno mental, para os fins desta Lei, a pessoa que, diagnosticada e tratada em psiquiatria, ou não, demonstrar comportamento singular e diferenciado daquele considerado socialmente adequado.

Para ler o projeto de lei completo, baixe-o aqui.

Programa na TV Brasil

Iracema Polidoro foi convidada à participar de um programa "De Lá Prá Cá", 3 a 1 na TV Brasil, às 22:00h, no dia 10/06/2009 como representante do Movimento da Luta Antimanicomial e contará com participação do poeta Ferreira Gullar e a Diretora do Pinel, Drª. Silvana Ferreira.

Iracema Polidoro é familiar de doente mental há muito respeitada por sua luta em defesa dos usuários de saúde mental. Ela é presidente da Associação de Parentes e Amigos dos Pacientes do Complexo Juliano Moreira (Apacojum).

Não Percam!

sábado, 6 de junho de 2009

Mais Informações sobre o Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade

Premiar iniciativas artísticas culturais inovadoras, com foco em fortalecer e dar visibilidade ao trabalho que vem sendo realizado por pessoas, grupos, organizações ou instituições envolvidas com aqueles que têm algum sofrimento psíquico, é o objetivo do primeiro Prêmio 'Loucos pela Diversidade - edição Austregésilo Carrano'. O edital, que contemplará 55 trabalhos, é uma iniciativa da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura, e do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps/ENSP/Fiocruz), coordenado pelo pesquisador da Escola Paulo Amarante. As inscrições vão até o dia 13 de julho de 2009.

O edital, lançado no dia 12 de maio pelo Ministério da Cultura durante o Encontro Internacional Reformas Psiquiátricas e Transformação Cultural no Brasil e no Mundo: 30 anos da Lei Franco Basaglia - que aconteceu em Salvador (BA) - homenageia nesta primeira edição Austregésilo Carrano, um escritor brasileiro, integrante do Movimento da Luta Antimanicomial e autor do livro 'Canto dos Malditos' em que narra sua experiência nos hospitais psiquiátricos e denuncia os absurdos cometidos diariamente nessas instituições. O livro deu origem ao filme 'Bicho de Sete Cabeças'.

Paulo Amarante explica que o edital entregará 55 prêmios entre individuais e coletivos, totalizando o valor de 675 mil reais, por meio de patrocínio da Caixa Econômica Federal. "Esse projeto busca reconhecer iniciativas de artes produzidas por pessoas com algum tipo de sofrimento mental", destacou o pesquisador. O edital é uma das decorrências práticas mais importantes da 'Política Nacional Loucos pela Diversidade', criada a partir do seminário realizado na ENSP, em agosto de 2007, com a participação do então ministro da Cultura, Gilberto Gil.

O edital é dividido em quatro categorias: Iniciativas públicas; organização da sociedade civil; grupos autônomos; e pessoa física. Será adotado pelo edital o critério da regionalização, permitindo, assim, a premiação de todas as regiões brasileiras. Serão destinados cinco prêmios para a região Norte, cinco prêmios para a região Nordeste e cinco prêmios para a região Centro-Oeste, ao menos.

Para a escolha dos vencedores, será constituída uma comissão julgadora com artistas da área, e a perspectiva de Paulo Amarante é que a entrega do prêmio aconteça no dia 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, durante solenidade na Caixa Cultural, localizada no Centro do Rio de Janeiro.

A íntegra do edital, bem como as fichas de inscrição e modelo de autorização de veiculação da obra criada estão disponíveis em formato pdf. Todo o material deverá ser enviado para o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps/ENSP/Fiocruz), responsável pelo concurso.

Para ler o Edital e inscrever-se, acesse clique aqui e vá em Anexos, no final da página.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade

O Ministério da Cultura, representado pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, em parceria com o Ministério da Saúde, representado pela Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz, por meio do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental [LAPS] e a Caixa Econômica Federal [CEF] lançaram o edital do I Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade 2009 - Edição Austregésilo Carrano.

O anúncio fez parte do debate Loucura e Cultura que faz parte da Semana da Luta Antimanicomial, que neste ano tem como tema ‘Inclusão e Diver-Cidade’. O edital tem como objetivos promover uma nova visão de política cultural e da política de saúde mental onde o respeito à identidade e à diversidade constroem um país mais democrático no sentido de incluir, socializar, descentralizar e potencializar a todos o direito à criação e à produção cultural, promover e garantir o protagonismo das pessoas em sofrimento psíquico na construção das políticas públicas de cultura, na criação e produção cultural, entre outro que promovam a inclusão, a emancipação, a autonomia e o direito à cidadania de indivíduos em sofrimento psíquico.

Serão premiadas 55 iniciativas, divididas em quatro categorias. A primeira destinará sete prêmios para instituições públicas que atuam na interface saúde mental e cultura; na segunda oito prêmios serão destinados para organizações da sociedade civil, instituições privadas, entidades e associações sem fins lucrativos. A terceira categoria reservará 20 prêmios a grupos de pessoas sem vínculo institucional que tenham ou tenham tido vínculo como usuários de instituições ou serviços de saúde mental que desenvolvam atividades artístico-culturais.

As 20 premiações restantes serão destinadas para pessoas em sofrimento psíquico que tenham ou tiveram vínculo com instituições ou serviços de saúde mental que desenvolvam atividades artístico-culturais individualmente.

Nas categorias em que a premiação será destinada a instituições ou grupos de pessoas o valor será de R$ 15 mil, já para o prêmio individual o repasse será de R$ 7,5 mil. Cada candidato poderá inscrever-se em somente uma categoria e com até três iniciativas artísticas culturais. As inscrições podem ser feitas até o dia 13 de julho

Informações no site www.cultura.gov.br, pelo telefone (61) 3316-2129, SID/MinC, e (21) 2260-5999 ou pelo correio loucospordiversidade@fiocruz.br, na Fiocruz.


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Transtorno bipolar está relacionado a taxas mais altas de mortalidade por suicídio e doença cardiovascular

Pacientes com transtorno bipolar sofrem de taxas mais altas de suicídio bem como mortalidade por doenças do sistema circulatório e têm maior risco de infecção pelo HIV, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e condições neurológicas como migrânea, de acordo com uma série de estudos apresentados no 162­º encontro anual de 2009 da American Psychiatry Association (APA).

Os estudos fizeram parte de um esforço realizado pela Spanish Society of Psychiatry para desenvolver consensos sobre a saúde física do paciente com transtorno bipolar, de acordo com Dr. Fernando Rico-Villademoros, da University of Alcalá, em Madri, Espanha.

“Um dos nossos achados mais importantes foi que, assim como suicídio, pacientes com transtorno bipolar têm taxas mais altas de mortalidade devido à doença cardiovascular. Entretanto, não existem dados fortes de que eles sofram de câncer em taxas maiores do que a população geral”, disse Dr. Rico-Villademoros à Medscape Psychiatry.

“As razões para taxas mais altas de morte por doença cardiovascular são multifatoriais – e provavelmente ocorrem devido às medicações que os pacientes tomam bem como ao estilo de vida”, ele acrescentou.

Taxas mais altas de doença cardio e cerebrovascular

Nos estudos, os pesquisadores buscaram na literatura publicada de 1966 a janeiro de 2008, mas limitaram-se a trabalhos publicados em inglês e espanhol.

Este estudo avaliou pesquisas que relatavam a mortalidade por todas as causas e por causa específica. Três outros estudos sobre câncer e infecção pelo HIV, comorbidades neurológicas, cardiovascular e respiratória incluiram trabalhos com um tamanho amostral de 30 ou mais pacientes, mas excluiu aqueles que avaliaram o efeito das comorbidades associadas a um tratamento especifico do transtorno bipolar, tal como lítio ou antipsicóticos. Os estudos não incluíram uma meta-análise e somente forneceram resultados descritivos sobre os estudos primários encontrados na busca literária.

No estudo sobre mortalidades, os pesquisadores observaram que a razão padronizada de mortalidade para suicídio em pacientes com transtorno bipolar variou de 8 a 20. Uma razão padronizada de 1 é uma taxa de mortalidade considerada igual a da população de referência. Pacientes com transtorno bipolar também morreram de doenças do sistema circulatório – incluindo doença cardio e cerebrovascular – em taxas maiores do que a população em geral, e 2 estudos mostraram uma taxa de mortalidade maior devido à infecção.
Em um estudo que avaliou as comorbidades cardiovasculares e cardiorrespiratórias, os pesquisadores mostraram que o transtorno bipolar esteve associado às taxas maiores de asma e DPOC, e menos consistentemente com uma taxa aumentada de hipertensão. Não houve associação entre o transtorno bipolar e derrame.

Achado sobre migrânea é difícil de explicar

Outro estudo sobre as comorbidades neurológicas observou que pacientes com transtorno bipolar pareciam sofrem de incidência aumentada de migrânea comparado com a população em geral – um achado que é difícil de explicar, disse Dr. Rico-Villademoros.

Também houve uma associação entre transtorno bipolar e demência; um achado que os pesquisadores disseram que devia ser investigado mais profundamente. Entretanto, devido ao número limitado de estudos avaliando estas anormalidades neurológicas – 21 ao todo – eles também observaram que os achados sobre esses riscos devem ser interpretados com precaução.

Os pesquisadores também observaram que o risco de câncer e infecção pelo HIV e encontraram um número limitado de estudo sobre esses pacientes – 5 sobre morbidade do câncer e 8 sobre infecção do HIV. Embora seus dados não sejam conclusivos, eles observaram que o transtorno bipolar pode estar associado a uma taxa maior de HIV, mas não câncer.

Quando juntas, as pesquisas apontam a importância de se avaliar os fatores de risco para comorbidades em pacientes com transtorno bipolar, incluindo fatores risco de doença cardiovascular, e aqueles para infecção, incluindo uso de drogas, disse Dr. Rico-Villademoros.

“Embora nós sempre nos concentremos no suicídio, é importante levar em consideração outros fatores”.

Os dados sustentam a experiência clínica

“Esses estudos são completamente coerentes com o ponto de vista da maioria dos clínicos – e é bom ter dados para apoiar nosso conhecimento sobre os riscos de suicídio, bem como sobre doença cardiovascular em pacientes com transtorno bipolar” comentou Dr. David Baron, da Temple University School of Medicine, Philadelphia, Pennsylvania, e membro do comitê do programa científico da APA.

“O estudo sobre mortalidade ressalta a verdade de que a doença psiquiátrica é um transtorno que ameaça a vida. Muitas pessoas acham que aqueles com transtorno bipolar são só tristes ou maníacos, mas esta realmente é uma doença biopsicossocial”, Dr. Baron acrescentou.


Fonte: Med Center