quarta-feira, 3 de junho de 2009

Lítio na água pode prevenir suicídios

Um estudo realizado no Japão indica que a ocorrência de níveis ligeiramente mais altos de lítio na água potável está relacionada a taxas mais baixas de suicídio na população. O lítio, elemento químico facilmente encontrado na natureza, é também usado como medicamento no tratamento de distúrbios de humor, particularmente do transtorno bipolar. Uma pesquisa anterior (1990) já havia sugerido que concentrações mais altas da substância na água potável que abastece determinadas localidades se correlacionavam com incidências mais baixas de crimes e tentativas de suicídio. No estudo que acaba de ser publicado no The British Journal of Psychiatry, psiquiatras da Universidade de Oita observaram efeito semelhante.

Oita é uma região administrativa do Japão formada 18 municípios, com uma população total de 1,2 milhão de habitantes. A concentração de lítio na água potável que abastece essas cidades é muito baixa, mas bastante variável (entre 0,7 e 59 microgramas/litro), o que permitiu detectar taxas de mortalidade por suicídio significativamente menores onde a concentração do elemento na água era maior.

Os resultados do estudo suscitam questões eticamente delicadas. Já que baixíssimas concentrações de lítio aparentemente não têm conseqüências para as pessoas saudáveis, seria aceitável suplementar a água potável de populações inteiras para diminuir o risco de suicídio em um pequeno grupo de pessoas com transtorno de humor? Segundo os autores, ainda é cedo para se pensar nisso; mais estudos são necessários para se avaliar os possíveis custos e benefícios de tal medida.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ela não queria que a filha "salvasse o mundo"

As tentativas de uma mãe para internar a filha adolescente, que tinha transtorno bipolar e comportamento suicida, mostram como a redução de leitos psiquiátricos deixou muitos brasileiros sem assistência.

A pedagoga Heloísa Bergamo tinha em mãos duas cartas de psiquiatras pedindo a internação de sua filha, Jacqueline, de 14 anos. Era outubro de 2005 e durante quatro dias Heloísa percorrera hospitais de São Paulo em busca de uma vaga. Havia quase um ano e meio que ela espreitava 24 horas por dia os pensamentos da filha. Na medida em que isso é possível – e em que só as mães são capazes. Em junho de 2004, a menina alegre, cheia de amigos e que estava aprendendo a tocar viola e pandeiro começara a mudar de comportamento. Tornou-se fechada. Não queria mais ir à escola. Dizia que ninguém gostava dela. Eram os primeiros sintomas do transtorno bipolar, um distúrbio psiquiátrico em que a pessoa alterna momentos de euforia ou irritação com depressão profunda. É durante essas variações de humor, causadas por um desequilíbrio na química cerebral, que até 30% dos doentes tentam tirar a própria vida. Metade acaba conseguindo.

Heloísa sabotara todos os planos de Jacque de “salvar o mundo”. Era essa frase que a adolescente repetia quando mais uma crise começava, em uma lógica que talvez nem ela mesma entendesse.

Heloísa impedira as tentativas de Jacque de saltar do carro em movimento. Seu lugar era no banco da frente, ao lado da mãe, que dirigia vigiando o fecho do cinto de segurança. Interceptara as incontáveis corridas da filha de sua casa, no centro de São Paulo, em direção à Avenida Nove de Julho, uma das mais movimentadas da cidade. Nos carros e ônibus que passam em alta velocidade, Jacque via uma oportunidade de “salvação”. No apartamento recém-alugado pela família, o encanto de Jacque - como aquele dos marujos pelas sereias, explica a mãe - era pelas janelas. As redes de proteção, cuidadosamente instaladas nas janelas do apartamento no quinto andar, eram para Jacque a cera que o herói da mitologia grega Odisseu colocou nos ouvidos para não sucumbir aos encantos das sereias.

A internação era a última alternativa para impedir que Jacque “salvasse o mundo”. Heloísa já não conseguia conter a filha fisicamente. Jacque estava crescendo. Heloísa, enfraquecendo, esgotada com a dedicação integral à filha. Acumulava sozinha a administração de sua escola infantil e os cuidados com as filhas, Jacque e Aline, de 15 anos. Não contava com a ajuda diária do ex-marido nem da mãe, paralisada por um acidente vascular, e do pai, que sofre com um enfisema pulmonar. Os dias de trabalho eram precedidos por noites sem dormir, tentando impedir que a filha fugisse, arranhasse o rosto, se ferisse com um garfo, uma caneta ou que estivesse à mão.

A médica que atendia Jacque havia mais de um ano no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo pediu sua internação. Não adiantou. Na carta de 18 de outubro de 2005, dirigida a outro médico que viesse a atender Jacque, a explicação. “Optamos por interná-la, porém, sem vaga”. Heloísa saiu do hospital com a carta em uma mão, segurando a filha com a outra e sem saber para onde ir. “Com minha filha se debatendo e querendo fugir, como eu poderia ficar perambulando de hospital em hospital à procura de internação?”. A solução foi retornar para casa. E voltar no dia seguinte, quando tampouco havia vagas.

Segundo uma informação divulgada esta semana pelo hospital, ainda levaria alguns meses até que elas surgissem. Em outubro de 2005, todos os leitos da psiquiatria infantil do Hospital das Clínicas estavam desativados porque a unidade estava em reforma. Hoje, são dez em funcionamento, ocupados 98% do tempo, e que continuam sendo um dos poucos em São Paulo reservados para crianças e adolescentes com alguma doença psiquiátrica. Na época, a assistente social do hospital garantiu que Jacque estava na fila, esperando um leito psiquiátrico vagar em algum hospital público de São Paulo.

Heloísa sabia que não podia esperar. Foi para um pronto-atendimento de psiquiatria, que estava incluído na cobertura de seu plano de saúde. Era para lá que levava a filha sempre que ela tinha uma crise nos finais de semana. Jacque recebia mais medicamento, acalmava e voltava para casa.“Era sempre um jogo de empurra: o Hospital das Clínicas dizia que era para levar a Jacque em caso de emergência para esse pronto-atendimento. Nesse lugar, davam mais remédios e mandavam antecipar a consulta semanal no Hospital das Clínicas.” Desta vez, à procura de internação, Heloísa descobriu que o pronto-atendimento não contava com leitos para crianças. Levou Jacque para o pronto-socorro de outro hospital. O psiquiatra aplicou sedativos em Jacque e a mandou embora para casa. “É isso o que eles fazem. A pessoa se acalma e eles mandam embora para casa. Mas e quando o efeito do remédio acabar?.” No prontuário de Jacque, o médico escreveu “risco de suicídio”, recomendou internação e deu alta. Cansada, Heloísa levou Jacque para casa.

No dia seguinte, o segundo depois de a médica indicar internação, Heloísa voltou com a filha ao Hospital das Clínicas. Recebeu a recomendação de interná-la provisoriamente em um pronto-socorro, mantido pela Prefeitura de São Paulo, até que surgisse uma vaga. Foi para lá. “Eu nunca deixaria a minha filha naquele lugar. Ela tinha de ficar sentada em uma cadeira. Os remédios dela o padrinho foi buscar em casa porque lá não tinha. Era uma enfermeira cuidando de homens e mulheres, todos misturados.” Heloísa decidiu levar Jacque para casa e ficar aguardando o telefonema que avisaria sobre a vaga.

Jacque amanheceu tranquila no dia seguinte, o terceiro na busca de Heloísa por internação. “Eu não sabia que o perigo é quando eles se acalmam”, diz Heloísa. “Sem aquele turbilhão de emoções da crise, conseguem colocar seus planos em prática.” Heloísa avisou na escola que não iria mais trabalhar. Ficaria em casa, de plantão, até receber a ligação que avisaria sobre a vaga. Passou o dia arrumando o apartamento, para onde tinha se mudado há seis dias. Ela morava com as duas filhas em um anexo de sua escola infantil, e achava que lá Jacque não tinha sossego para descansar. Também temia que a filha tentasse “salvar o mundo” na frente dos alunos, crianças com no máximo seis anos de idade.

No fim da tarde, Jacque aceitou o convite da irmã para curtir a piscina do prédio. Heloísa, sem avistar nenhum perigo no térreo do edifício, deixou as duas na piscina e saiu para comprar alguns itens que precisava na vizinhança. Quando estava voltando para casa, viu uma manicure e resolveu fazer as unhas. Mal se sentou e carros de resgate passaram pela rua, com as sirenes ligadas. Decidiu acreditar que não podia ser em sua casa. Mas só até o telefone tocar. Aline, sua filha mais velha, avisava que Jacque pedira para voltar ao apartamento para dormir. Enquanto a irmã assistia à televisão, vigiando a porta do quarto, Jacque conseguira passar para o banheiro e trancar a porta por dentro. Aproveitou-se da única janela em que a empresa de telas de proteção não instalara uma rede: aquelas basculantes, bem pequenas, típicas de banheiro. Jogou-se. Jacque sofreu múltiplas fraturas pelo corpo e na cabeça. Foi operada, ficou dois dias em coma. Deu por cumprida sua missão de “salvar o mundo” no meio da tarde do domingo, 23 de outubro de 2005.

Heloísa tenta retomar a vida

“Você vai escrever que eu estava fazendo a unha”, pergunta Heloísa. “Parece o cúmulo da irresponsabilidade.” Talvez para alguém que não consiga se colocar no lugar de uma mãe que colocou a própria vida em segundo plano para cuidar da filha. Mas a maioria das pessoas subentende na pergunta de Heloísa a culpa com a qual ela terá de conviver. Mesmo sem ter nenhuma. “Depois da morte da Jacque fiquei sem viver dois anos. Entrei em depressão, só dormia, descuidei do meu trabalho. Quem tocava a escola eram as minhas funcionárias. Ainda estou tentando retomar a minha vida. Mas não tenho concentração nem capacidade criativa.”

A irmã de Jacque, Aline, também sofreu com a doença da irmã. Ela tinha 14 anos na época em que os primeiros sintomas de Jacque começaram a aparecer. Ressentia-se da atenção excessiva que a mãe dedicava à irmã. Chegou a tomar um punhado dos remédios de Jacque de uma só vez para tentar se matar. A combinação de remédios a deixou dopada por algumas horas. “Ela dizia que era melhor morrer do que viver daquele jeito”, diz Heloísa, que decidiu mandar Aline para a casa de uma amiga em Itatiba, cidade a 80 quilômetros de São Paulo. Aline passou todo o segundo semestre de 2004 no interior, estudando em uma escola local. Eram raros os finais de semana em que Heloísa conseguia visitá-la. Viajar com Jacque era um risco: ela tentava abrir a porta e se jogar do carro em movimento. “A doença acabou separando a família.”

Hoje, Heloísa mora em uma casa, na mesma rua onde fica sua escola. De lá consegue avistar o prédio de onde Jacque se jogou. Está processando o governo do Estado de São Paulo pela falta de leitos psiquiátricos. “Tenho certeza de que Jacque não teria conseguido se matar se tivéssemos encontrado uma vaga”, afirma Heloísa. “Quem sabe ela teria uma chance de aprender a conviver com sua doença.”


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Transtorno bipolar e sua biomitologia

Leia a importante entrevista abaixo com um ex-funcionário da Associação Britânica de Psicofarmacologia, e fique sabendo coisas chocantes sobre o "transtorno afetivo bipolar". O especialista nos informa, entre outras coisas, que transtorno bipolar NÃO É a mesma coisa que a doença maníaco-depressiva, como muitos erradamente pensam. David Healy, um ex-secretário da British Association for Psychopharmacology (Associação Britânica de Psicofarmacologia), é autor de mais de 120 artigos e 14 livros, incluindo The Antidepressant Era (A Era do Antidepressivo), The Creation of Psychopharmacology (A Criação da Psicofarmacologia), e Mania, um novo livro sobre a fascinante história do transtorno bipolar. Sua crítica contra as práticas das empresas farmacêuticas o colocou em desacordo com os colegas da psiquiatria e farmacologia. Ao mesmo tempo, a sua perícia como um líder acadêmico incontestado, pesquisador e médico lhe dá uma perspectiva única sobre padrões e problemas na psiquiatria anglo-americana. Ele concordou recentemente em responder a uma série de perguntas sobre a crescente prevalência e definição alargada do transtorno bipolar. Parte do que você descreve em seu novo livro "Mania: Uma Breve História do transtorno bipolar" é uma boa parte de "biomitologia" (biomythology) sobre a doença. Quais os aspectos em particular que você tem em mente? "Biomythology" está ligado a "biobabble", um termo que eu criei em 1999, para se corresponder à expressão amplamente utilizada "psychobabble". (Babble = rumores. Logo, "psychobabble" se refere a falsas afirmações sobre problemas psíquicos, wenfim mitosd sobre doenças mentais) Biobabble se refere a coisas como a suposta redução dos níveis da serotonina e o desequilíbrio químico que dizem estar no centro dos distúrbios de humor, TDAH(Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e de ansiedade. Isto é tão mítico quanto as supostas alterações da libido que a teoria freudiana afirma que estão no centro dos transtornos psicodinâmicos. Embora a libido e serotonina sejam coisas reais, a forma como esses termos foram usados uma vez por psicanalistas e por psicofarmacêuticos agora, especialmente no jeito como eles têm se diluído na cultura popular, não tem qualquer relação com qualquer nível subjacente de serotonina ou desequilíbrio químico mensurável ou distúrbio da libido. O que é surpreendente é a forma rápida que estes termos foram tomados pela cultura popular, e de uma maneira bem global, com tantas pessoas agora rotineiramente dizendo que seus níveis de serotonina estão descontrolados quando elas estão se sentindo mal ou erradas. No caso do transtorno bipolar os "biomyths" (biomitos) se centram nas ideias sobre a estabilização do humor. Mas não há provas de que as drogas estabilizam humor. Na verdade, nem sequer é claro que faça sentido falar de um centro do humor no cérebro. Um outro pedaço da mitologia que visa manter as pessoas tomando as drogas diz que estas são supostamente neuro protetoras, mas não há provas de que este é o caso e, de fato, estas drogas podem levar a danos cerebrais. Como é que o nosso entendimento de "mania" hoje se difere das concepções anteriores do fenômeno? Transtorno bipolar em si é um pouco uma entidade mítica. Como é empregado agora o termo tem pouca relação com a clássica doença maníaco-depressiva, que obrigava as pessoas a serem hospitalizadas com um episódio da doença, seja depressão ou mania. Os problemas que, atualmente, estão agrupados sob o título "transtorno bipolar" são semelhantes aos problemas que, na década de 1960 e 1970, teriam sido chamados de "ansiedade" e tratados com tranquilizantes ou, durante a década de 1990, teriam sido identificados como "depressão" e tratados com antidepressivos. Como é que passamos, tão rapidamente, na década de 1990, de um modelo de tratamento psicoterápico para crianças para um modelo de tratamento altamente relacionado às drogas? Penso que um fator-chave para esta mudança foi a disponibilidade de critérios operacionais. Estes foram introduzidos em 1980 no DSM-III, a 3ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. A ideia foi a de cobrir a brecha entre os psicoterapeutas, por um lado, e os neurocientistas, por outro. Esperava-se que, se ambos os campos pudessem assegurar que os pacientes conseguissem critérios 5 de 9 para depressão, por exemplo, então, pelo menos, o grupo de pacientes seria homogêneo, mesmo se as opiniões sobre o que levou aos problemas não fossem. Presumia-se, no entanto, que havia lugar para um julgamento clínico, para que uma paciente que reunia 5 dos 9 critérios para depressão, mas tinha gripe ou estava grávida fosse diagnosticada como grávida e não deprimida. Mas, em face da propaganda das empresas, e com o advento da Internet, o julgamento clínico se esvaziou. Pacientes na Internet ou diante dos materiais das empresas farmacêuticas agora facilmente acham que preenchem os critérios para um transtorno e muitas vezes não existe nada nem ninguém que possa dizer-lhes que isto não é o equivalente a ter o distúrbio. Em casos extremos, tive pacientes com carreiras altamente sociais que vêm falar comigo e dizem que acham que têm síndrome de Asperger, porque eles viram na Internet e acham que eles cumprem os critérios para tal, quando, na verdade, quase por definição , essa pessoa pode não ter Síndrome de Asperger. Na ausência de julgamento clínico existe um padrão para uma opção de um medicamento biológico como solução. Critérios criam um problema para o qual uma droga é muitas vezes a resposta, em apenas da mesma forma que as medições de seus níveis lipídicos criam um problema do qual uma estatina é a solução. Critérios operacionais estão interagindo aqui com uma certa perda da autoridade médica. Não é possível para uma médica (sic), hoje em dia, dizer a um paciente, "Baseado em meus 15 a 20 anos de experiência, você não tem PSPT(Perturbação de Stress Pós-Traumático)", ou seja o que for. Ela não pode dizer, "Nós não precisamos continuar esta conversa, volte quando você tiver uma formação médica e 15 anos de experiência clínica." A médica (sic) tem que dialogar com o paciente sobre o nível do material que está lá fora, na cultura popular, e quando ela tenta fazer isso ela vai descobrir que ela está disputando com uma implantação extraordinariamente hábil desses materiais feitos pelo departamento de marketing das companhias farmacêuticas que são mestres em povoar a cultura geral para atender aos seus interesses. Em meados da década de 1990, você nota, cerca de metade de todos os transtornos do humor foram redefinidos como transtorno bipolar, em vez de depressão. O que você acha que explica essa dramática mudança de perspectiva? O principal evento em meados da década de 1990 que levou à mudança de perspectiva foi a comercialização de Depakote pela Abbott como um estabilizador do humor. Antes disso, o conceito de estabilização de humor não existia. E, embora em uma popular série televisiva podemos aceitar que Buffy a caça vampiros ganhe uma nova irmã na Temporada Cinco que tinha todo o tempo, mas nós não conhecíamos, não esperamos que isso aconteça na academia. A introdução da estabilização de humor pela Abbott e outras companhias que pegaram o embalo para comercializar anticonvulsivantes e antipsicóticos foi, de fato, bastante comparável a Buffy obtendo uma nova irmã. Estabilização de humor não existia antes de meados da década de 1990. Não pode ser encontrado em nenhum dos livros anteriores de referência e jornais. Desde então, porém, agora temos seções para estabilizadores de humor em todos os livros sobre drogas psicotrópicas, e mais de uma centena de artigos por ano apresentando estabilização de humor nos seus títulos. Da mesma forma, a Abbott e outras companhias, como a Lilly comercializando Zyprexa para transtorno bipolar, têm re-estruturado a doença maníaco-depressiva. Embora o termo transtorno bipolar estivesse presente desde 1980, doença maníaco-depressiva era o termo que era ainda mais comumente utilizado até meados da década de 1990 quando desaparece e é substituído por transtorno bipolar. Atualmente, mais de 500 artigos por ano colocam transtorno bipolar em seus títulos. Você apenas tem que olhar para a Lilly que comercializou Donna nos documentos da internet sobre Zyprexa para ver o que está acontecendo aqui: "Donna é uma mãe solteira, de uns 30 anos, e aparece em seu escritório com roupas um tanto relaxadas e pouco à vontade. Sua principal queixa é "Eu me sinto tão ansiosa e irritada ultimamente." Hoje ela diz que tem dormido mais que o habitual e tem dificuldade para se concentrar no trabalho e em casa. No entanto, em várias consultas anteriores ela estava falante, eufórica, e relatou que tinha pouca necessidade de sono. Você a tem tratado com vários medicamentos, inclusive com antidepressivos com pouco sucesso... Você poderá garantir para Donna que Zyprexa é seguro e que irá ajudar a aliviar os sintomas contra os quais ela está lutando. " Donna poderia ter destaque nos anúncios de tranquilizantes de 1960 a década de 80, ou de antidepressivos na década de 1990, e teria sido provavelmente mais susceptível de responder a qualquer um destes grupos de tratamento do que para um antipsicótico, e menos provável de ser prejudicado por eles do que por um antipsicótico. O que as empresas de marketing são muito boas de fazer é enquadrar as pessoas que têm sintomas comuns, que quase todos nós temos, numa maneira mais conveniente de conduzir a uma receita para o remédio do dia. É uma afronta para um século de pensamento psiquiátrico ver condições que pacientes como Donna têm como transtorno bipolar. Mas se um século de pensamento psiquiátrico costumava dizer alguma coisa, não diz mais. Entre 1996-2001, você explica, houve um aumento de cinco vezes no uso de antipsicóticos (Zyprexa, Risperdal, Abilify, Seroquel, e outros) em pré-escolares e pré-adolescentes. Qual o papel que o DSM-IV desempenhou nisso, com a introdução da categoria, ainda controversa, transtorno bipolar II? O conceito de transtorno bipolar juvenil voa ainda mais em face da sabedoria tradicional em psiquiatria do que em chamar Donna de bipolar. A partir de 2008, mais de um milhão de crianças nos Estados Unidos, em muitos casos pré-escolares estão tomando "estabilizadores de humor" para o transtorno bipolar, embora a condição permaneça desconhecida no resto do mundo. Não estou certo de quanto DSM-IV(Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed.) desempenhou algum papel nesta mudança. Acho que as empresas teriam encontrado uma maneira de criar essa mudança, mesmo sem a introdução do transtorno bipolar II no DSM-IV. Então a quanto dessa mudança é atribuível aos antidepressivos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina)terem perdido a patente enquanto os antipsicóticos eram ainda grandes geradores de lucro? Acho que este foi, de fato, pivô do que aconteceu. Os antidepressivos poderiam perder a patente enquanto que as drogas anticonvulsivantes eram mais velhas e poderiam ser repatenteadas para esta finalidade, e os antipsicóticos, que também poderiam ser (e foram) comercializados como estabilizadores de humor, iniciavam suas vidas de patentes. Um ponto que está relacionado e que vale a pena trazer a tona é que a mudança ocorreu porque as empresas não foram capazes de fazer antidepressivos novos e mais eficazes. Se tivessem sido capazes de fazê-lo, acho que eles teriam provavelmente ficado com o modelo de depressão e não teriam feito a mudança para o transtorno bipolar. Nos termos do que está acontecendo nos EUA, penso que temos de olhar para o modo como as empresas farmacêuticas têm habilmente explorado os médicos. Os médicos até que têm tentado ajudar. Embora as drogas apenas estejam disponíveis mediante receita médica,, os médicos tendem a ver passar um medicamento como um procedimento natural, enquanto que anteriormente tinham sido muito mais céticos sobre os benefícios dos tratamentos medicamentosos. As empresas farmacêuticas têm arrumado uma situação em que acadêmicos se tornaram os principais oradores para as drogas. Vemos o Representante de vendas no canto e pensamos que podemos resistir facilmente aos seus encantos, mas acabamos deixando que eles dominem totalmente a situação. Mas é o meio acadêmico que vende as drogas. Os médicos que pensam que não são influenciado pelo marketing das empresas ouvem as vozes dos acadêmicos psiquiatras quando estes, no caso dos antidepressivos e antipsicóticos dado às crianças, têm falado sobre dados provenientes de testes controlados, e ao fazer isso eles têm sido, consciente ou inconscientemente, um instrumento para os departamentos de marketing das empresas. Na sua opinião, a decisão da FDA em 2004 de adicionar advertências em caixa-preta aos ISRSs sobre uso pediátrico levou a mais prescrições off-label e até mesmo a uma guinada em direção aos antipsicóticos, presumindo-se que estes últimos são mais seguros para uso em crianças? Acho que isto teve muito pouco efeito na mudança de depressão para transtorno bipolar, mas o que foi bastante surpreendente foi a rapidez em que as empresas foram capazes de utilizar a opinião dos poucos bipolarologistas (sic) que argumentavam que quando as crianças tornavam suicidas com antidepressivos não é a culpa da droga. O problema, eles diziam, decorre de um diagnóstico equivocado e, se pudéssemos apenas obter o diagnóstico correto e colocar a criança para tomar estabilizadores de humor, então não haveria problema. Não há provas para esse ponto de vista, mas foi interessante ver como de apoio das empresas poderia pôr vento nas velas de uma tal perspectiva. Também foi interessante ver como as pessoas ficavam meio delirantes por causa de uma ideia desta. Confrontados com detalhes, como voluntários saudáveis ficando suicidas ao tomar antidepressivos, dedicados "bipolarologistas" estavam prontos a dizer que isto só mostra que estas pessoas normais são bipolares latentes. Neste caso, penso que a maioria das pessoas vai ver que "bipolaridade latente ", como um conceito, está funcionando um pouco como a forma latente da homossexualidade uma vez funcionou para os Freudianos. A maioria das pessoas também verá que o primeiro conceito é impossível. O que as empresas têm feito é passar um megafone para as mãos dos defensores desse ponto de vista sobre transtorno bipolar, que era até muito recentemente uma rara minoria. E são os antipsicóticos na verdade mais seguros que antidepressivos? Não, eles não são. Os antipsicóticos são tão perigosos quanto os antidepressivos. Antes da introdução dos antipsicóticos, as taxas de suicídio na esquizofrenia eram extremamente baixas, eram difíceis de diferenciar do resto da população. Desde a introdução dos antipsicóticos as taxas de suicídio subiram 10 - ou 20 vezes. Muito antes de que os antidepressivos fossem relacionados a acatisia, os antipsicóticos eram universalmente reconhecidos como causadores desse problema. Também foi universalmente aceito que a acatisia que eles causavam tinha o risco de induzir o paciente ao suicídio ou à violência. Eles também causam uma dependência física. Zyprexa está entre as drogas mais susceptíveis de fazer que as pessoas se tornem fisicamente dependentes dela. No que me diz respeito, a licença do Zyprexa para a suposta manutenção para tratamento de transtorno bipolar resulta de dados que são de fato excelente prova para o que provoca dependência física e os problemas que podem surgir quando o tratamento é interrompido. Além disso, naturalmente, estas drogas são conhecidas por causar uma variedade de síndromes neurológicas, diabetes, problemas cardiovasculares, e outros problemas. É difícil compreender o quão cegos clínicos podem ficar para problemas como estes, em especial nos jovens que crescem e se tornam obesos e diabéticos bem diante de seus olhos. Mas temos um campo que, quando confrontados com o óbvio, em vez disso optou por ouvir as vozes de Eli Lilly dizendo: "Oh não, não há qualquer problema com Zyprexa. A psicose é o que provoca diabetes - Henry Maudsley reconheceu isso 130 anos atrás". Bem, Henry Maudsley odiava pacientes, e viu pouquíssimos deles num tempo em que o diabetes era raro. Recentemente, olhamos para as admissões do Hospital de North Wales no período 1875-1924, vasculhando sua carreira, e entre os mais de 1200 casos admitidos por doença mental grave, ninguém tinha diabetes e ninguém passou a desenvolvê-la. Também analisamos as admissões para a unidade local de saúde mental entre 1994 e 2007, e em mais de 400 internações primeiro ninguém tinha diabetes de tipo 2, mas o grupo como um todo passou a desenvolver diabetes em dobro da taxa nacional. Isto não é surpreendente. O que é impressionante é como o campo inteiro engoliu a linha da Lilly, especialmente quando ela era tão implausível para começar. Tivemos grandes dificuldades para fazer que este artigo fosse publicado. Um jornal se recusou mesmo a revê-lo. Uma forma de levantar um perfil de transtorno bipolar em crianças, você nota, era argumentar que elas tinham sido mal diagnosticadas com TDAH. Quais foram as implicações e os efeitos dessa solicitação? No caso das crianças com TDAH, acho que precisamos observar é que na maior parte do mundo até muito recentemente (e ainda em países como a Índia), TDAH é um transtorno muito raro em que as crianças, geralmente meninos, são fisicamente muito hiperativos. Esta é uma condição que eles superam em sua adolescência. Tratamento com estimulantes pode fazer a diferença em casos como este. Se o tratamento é sempre necessário, no entanto, pode depender das circunstâncias da criança, por oposição à natureza de qualquer suposto condição. É só num mundo onde escolaridade ou a adesão a um determinado conjunto de normas sociais é obrigatório que uma condição como TDAH se torna um transtorno. Houve uma maior tolerância ao longo de um século atrás do que existe atualmente para as crianças fazerem outras coisas na infância, e aguardarem até que se estabelecessem na adolescência, sem serem tratadas, para sua condição. O que temos hoje não é TDAH como era classicamente entendido, mas sim um estado de coisas que temos tido ao longo dos séculos, que é o da "criança problema." Hoje, a criança problema é rotulada como tendo TDAH. Mas ter apenas um rótulo é muito limitante. A psiquiatria infantil (pedopsiquiatria) precisava de um outro distúrbio, e por esta razão a doença bipolar foi bem-vinda. Nem todas as crianças acham os estimulantes adequados, e assim como com os ISRS e o transtorno bipolar, tornou-se muito conveniente dizer que os estimulantes não foram a causa do problema que a criança estava experimentando, a criança tinha na verdade um distúrbio diferente e, se pudéssemos apenas obter o diagnóstico correto então tudo ficaria no lugar. Uma fenômeno fascinante, neste momento, é um claro efeito "looping" do TDAH em adultos. Muito recentemente as orientações(guidelines) para TDAH da NICE [National Institute for Health and Clinical Excellence] da Grã-Bretanha saiu e declarou que TDAH em adultos é um transtorno clínico válido. Estou certo de que há alguns anos, 85 a 90 por cento dos médicos do Reino Unido não teria pensado que TDAH em adultos era um transtorno clínico válido. Seria de se esperar que as orientações fossem um pouco conservadoras, mas neste caso o que parece que se vê é o processo das guias sair à frente no campo, levando os clínicos em uma direção que parece ser bastante surpreendente. As empresas farmacêuticas compreendem muito bem que essas orientações que estão construindo devem ser neutras em termos de valor e seguir os dados. Isto significa que eles podem facilmente criar testes que podem mostrar vantagens mínimas para o seu medicamento para uma condição que eles chamaram de "TDAH adulto." Os autores das orientações têm pouca opção senão suspender a sentença e aceitar que a condição colocada deve ser real. Assim, por exemplo, como Lilly obteve, eles acabam aprovando a utilização de um agente como Strattera. O que é surpreendente sobre a atual situação é que parece ser quase impossível chegar aos autores das orientações, que estão sentados no meio da estrada, imobilizados pelos faróis que chegam, fora do caminho dos farmacêuticos poderosos. Você pode mostrar como estão sendo manipulados, mas eles dão de ombros e perguntam, "O que podemos fazer?" Começamos recentemente a um inquérito, aqui no Norte do País de Gales, olhando para os aspectos da situação. Em resposta a perguntas, aqui clínicos indicaram que três anos atrás estavam bastante certos de que eles não teriam utilizado TDAH adulto como uma condição válida, mas eles antecipam que daqui a três anos a eles provavelmente vão. Acho que isso mostra uma apreciação realista das habilidades das empresas para mudar o clima em que a prática clínica acontece, e da relativa futilidade de tentar se levantar contra tais mudanças. Você tem que tratar pacientes reais. O que você diz a eles sobre estas condições e as suas opções do tratamento? Muitos médicos, cientistas e pacientes ouviram falar do pós-modernismo. Eles já devem ter ouvido críticas das empresas contra alguém como eu, dizendo coisas como "Não dê ouvidos a ele, ele não passa de um pós-modernista". A implicação é que se trata de pós-modernismo, mas um distúrbio psiquiátrico, no seu próprio direito, em que professores universitários como eu recusam a admitir que haja qualquer realidade para o comportamento humano ou implicações físicas dos transtornos do comportamento humano. Em contrapartida, a história vai, lá estão os cientistas que trabalham no duro, para empresas farmacêuticas ou com empresas farmacêuticas que lidam apenas com fatos e dados duros, e a prova é que eles trazem novas drogas úteis para o mercado. Bem, acho que a história de Donna acima ilustra é que os departamentos de marketing das empresas farmacêuticas que são, na realidade, pós-modernistas por excelência. Eles tratam o corpo humano (incluindo os seus transtornos e reclamações), como textos, que deve ser interpretado de uma forma este ano e de uma forma totalmente oposta em um ano ou dois mais tarde. Em contrapartida, quando se trata dos perigos das drogas, assim como as empresas tabaqueiras, antes deles, o lema da indústria farmacêutica tornou-se "dúvida é o nosso produto", eles simplesmente se recusam a admitir que as suas drogas estão ligados a qualquer perigo em absoluto. . . até que a droga perde a patente. Você não pode obter uma melhor definição de pós-modernismo que "dúvida é o nosso produto." Então, a questão de quais tratamentos são melhores: estou muito feliz que os pacientes que vem me ver que, em geral obtêm tratamentos mais eficazes e seguros para seus problemas do que eles obtêm de médicos que aderem às últimas orientações. O problema é que basta apenas eu tropeçar uma vez e ter um grande problema, enquanto que atrocidades podem ser cometidas do outro lado, sem ninguém vir a ser incomodado. David Healy é o autor de 14 livros, incluindo o A Era do Antidepressivo, A Criação da Psicofarmacologia, Let Them Eat Prozac: The Unhealthy Relationship between the Pharmaceutical Industry and Depression (Deixe-os Comer Prozac: As Relações Nada Saudáveis Entre a Indústria Farmacêutica e a Depressão), e, mais recentemente, Mania: A Short History of Bipolar Disorder (Mania: Uma Breve História do transtorno bipolar). Christopher Lane é o autor mais recentemente de Shyness: How Normal Behavior Became a Sickness (Timidez: Como Um Comportamento Normal Se Tornou Uma Doença. Entrevista do especialista em psicofarmacologia, David Healy. Leia a entrevista completa em Bipolar disorder and its biomythology: An interview with David Healy

"Dói internar um filho. Às vezes não há outro jeito"

O poeta Ferreira Gullar, pai de dois esquizofrênicos, levanta uma das maiores controvérsias da psiquiatria: o que fazer com doentes mentais em estado grave?

Quando o escritor Ferreira Gullar publicou em 1999 o poema “Internação” (leia ao lado), já era um veterano na convivência com doentes mentais. Quem fez a observação sobre o vento foi Paulo, seu filho mais velho, que hoje tem 50 anos. Ele sofre de esquizofrenia, doença caracterizada, entre outras coisas, por dificuldade em distinguir o real do imaginado. Desde os anos 70, Gullar tenta administrar a moléstia. Fazia o mesmo com Marcos, o filho dois anos mais jovem, que também tinha esquizofrenia e morreu de cirrose hepática em 1992. Remédios modernos permitem que pessoas como Paulo passem longos períodos em estado praticamente normal. Sem alucinações, sem agitação, sem agressividade. Mas o tratamento só funciona se o doente tomar os medicamentos antipsicóticos todos os dias e na dose certa. Isso nem sempre acontece. O resultado são os surtos, quando o paciente se torna quase incontrolável.

Pode cometer suicídio ou agredir quem está por perto. Nesses momentos, esses doentes costumam precisar de internação. “Dói ter de internar um filho”, diz Gullar, hoje com 78 anos. “Às vezes, não há outro jeito.”

No Brasil, estima-se que haja 17 milhões de pessoas com algum transtorno mental grave – como esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo. Em algum momento, eles podem precisar de um hospital psiquiátrico. Encontrar uma vaga, porém, tornou-se uma tarefa difícil.

Nos últimos 20 anos, quase 70% dos leitos psiquiátricos do país foram fechados. Sem conseguir quem os ajude a cuidar dos doentes, pais e irmãos afirmam ter várias dimensões de sua vida pessoal comprometidas, dos compromissos de trabalho às amizades. É o que revela uma pesquisa feita em 2006 em Minas Gerais com 150 famílias com pessoas atendidas nos Centros de Referência em Saúde Mental. Em muitos casos, os doentes em surto fogem sem deixar rastro. Podem acabar embaixo dos viadutos. O aumento da população de rua nas grandes cidades não é fruto exclusivo da desigualdade social. Uma pesquisa feita em 1999 com moradores de rua em Juiz de Fora conclui que 10% deles eram psicóticos sem assistência.

“As famílias, principalmente as que não têm recursos, não têm mais onde pôr seus filhos”, diz Gullar. “Eles viram mendigos loucos, mendigos delirantes que podem agredir alguém. O Ministério da Saúde tem de olhar para isso.” Gullar decidiu expor publicamente um problema que não é só seu. Nas últimas semanas, escreveu três artigos sobre o assunto em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo. “Não pretendo liderar movimento algum. Sou um cidadão que tem uma tribuna e pode falar sobre o que está errado.”

Ele afirmou, no primeiro texto, que a campanha contra a internação de doentes mentais é uma forma de demagogia. Foi o suficiente para fazer eclodir uma controvérsia latente. Nos dias seguintes, dezenas de leitores enviaram cartas ao jornal. Representavam dois grupos. O primeiro, em apoio a Gullar, aponta as razões fisiológicas da doença mental e considera que a internação é um instrumento necessário nos momentos de surto.

O segundo, contra ele, afirma que os doentes devem ser atendidos em Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Nesses locais, o paciente recebe medicação e acompanhamento semanal. A ideia é atendê-lo sem retirá-lo do convívio da família e da comunidade. Para esse grupo, mesmo nos momentos de crise, o doente deve ser atendido nos Caps. Ele passaria alguns dias internado na própria instituição (ou em hospitais comuns, com alas psiquiátricas) e depois voltaria para casa. “O hospital é um lugar de isolamento, funciona como uma prisão. As pessoas vão e não voltam”, diz Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia. “Algumas famílias querem que a pessoa fique internada. É a ideia da instituição como depósito.”

Gullar se ofende com comentários como esse, que ouve desde o final dos anos 80, quando a reforma psiquiátrica que levou à situação atual começou a ser discutida no Brasil. “Essas pessoas não sabem o que é conviver com esquizofrênicos, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Elas têm a audácia de fingir que amam mais a meus filhos do que eu.”

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Transtornos do Impulso

Apesar de algumas pessoas nascerem com uma vulnerabilidade para a compulsão, o distúrbio também pode ser adquirido com o passar do tempo. Há componentes genéticos, mas os sociais também são importantes.

O ideal é procurar a ajuda de um especialista, que recomendará terapia ou, em alguns casos, tratamento associado a remédios. Recomenda-se também os grupos de ajuda que seguem a filosofia dos Alcoólicos Anônimos para facilitar o tratamento.

Segue um vídeo com uma entrevista de um Psiquiatra falando sobre os Transtornos de Impulso. Muito interessante.

Para assistí-lo, clique aqui.

Dedicamos esta postagem à Mariana, que comentou em nosso blog, e pediu mais informações sobre Epiteliofagomania (desejo incontrolável de roer, cortar ou morder e ingerir os pedaços de pele provenientes do ato), que está inserida nos Transtornos do Impulso, assim como a Tricotilomania (mania de arrancar, manipular e comer cabelo).

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Notícia da CBS: Risperidona faz crescer seios em meninos

Abaixo está a notícia da CBS que mostra os problemas que um garoto teve (crescimento de seios) por tomar o medicamento psiquiátrico risperidona. Consequentemente, o garoto passou a achar que era uma menina. A reportagem está em inglês, mas as cenas falam por si.

Watch CBS Videos Online

Tenha um pouco de paciência, pois o vídeo pode demorar a abrir. Caso o vídeo não abra direito aqui, veja no Youtube, clicando aqui para abrir uma nova janela. Vale a pena ver.

sábado, 9 de maio de 2009

O valor do sorriso

Estudo de universidade americana mostra que quem sorri mais tem menos chance de se divorciar. O estudo foi feito com antigos alunos da Universidade DePauw, no estado de Indiana. Os pesquisadores examinaram fotografias dos alunos quando estudantes e deram notas para a expressão de seus rostos.

Quanto mais feliz ou sorridente, melhor a nota. Em seguida foram se informar sobre a situação marital deles, já na idade madura. Ficou claro que as pessoas com expressão sisuda, ou sem sorriso, se divorciaram em maior número. Uma outra pesquisa feita pelo mesmo grupo revelou que moças sorridentes se casam mais cedo. A conclusão é que a existência ou não de uma expressão sorridente nas fotos é uma indicação confiável sobre a personalidade da pessoa.

Fonte: Opinião e Noticia

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sono ajuda a reduzir hiperatividade infantil

Pesquisadores finlandeses concluíram que dormir bem pode reduzir a hiperatividade e o mau comportamento entre crianças.

Com base no monitoramento de 280 crianças com idades entre 7 e 8 anos, a equipe da Universidade de Helsinki e do National Institute of Health and Welfare da Finlândia disse que crianças que não dormem bem podem apresentar mudanças de comportamento, apesar de nem sempre demonstrar cansaço.

Para os especialistas, o sono adequado poderia reduzir os sintomas das que sofrem do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (ADHD na sigla em inglês).

Leia mais em TDAH - Quando não compreendido, um transtorno.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Alimentos que podem afastar a depressão

Notícia do Yahoo diz: certos alimentos podem afastar a depressão. O artigo é do Dr. Eduardo Gomes, especializado em terapia ortomolecular. Apesar de nem todos os especialistas estarem de acordo, vários trabalhos científicos têm indicado o poder que certos alimentos têm de afastar a tristeza.

Nossos níveis cerebrais dependem da ingestão de alimentos ricos em triptofano e de carboidratos.

Quando falamos em carboidratos, devemos ter cuidado com o consumo excessivo de doces, que a princípio pode favorecer uma melhora de humor, e depois, agravar um quadro de tristeza.


Além disso, a vitamina B6 também ajuda a afastar a depressão. Ela pode ser encontrada em cereais integrais, na semente de gergelim, na banana e no atum. Para manter o bom humor, selênio também ajuda bastante. Não podemos deixar faltar castanhas, nozes, amêndoas, trigo integral e peixes. Para se ter uma idéia, uma castanha-do-pará fornece 100 microgramas de selênio. A recomendação diária é de 55 por dia.

O folato ou ácido fólico também é uma potente vitamina antidepressiva. Encontrado no espinafre, no feijão branco, na laranja, no aspargo, na maçã e na soja. A falta desse nutriente no organismo tem sido associada à depressão em diversos estudos científicos.

Enfim, não podem faltar cereias integrais, leguminosas (grão de bico, ervilhas e feijões), oleaginosas, carnes magras, peixes, ovos, leite, queijos magros, tofu, frutas e legumes. A ingestão adequada destes nutrientes nos garante níveis adequados de neurotransmissores no organismo, proporcionando o controle do humor.

Importante notar que é importantíssimo o acompanhamento de um profissional de nutrição para se obter bons resultados com a alimentação.

Veja o artigo Alimentos para afastar a tristeza no Yahoo.

Gene tem papel-chave em risco de autismo

Cientistas da Universidade da Pensilvânia detectaram pequenas alterações genéticas que parecem ter um grande impacto na probabilidade de uma pessoa desenvolver o autismo e outras doenças relacionadas, como a síndrome de Asperger.

O estudo foi feito com mais de 10 mil pessoas analisadas, dentre pessoas que sofrem de autismo e pessoas que não são portadoras da doença.

O estudo destacou em particular uma variante genética comum, que, se "consertada", poderia diminuir os casos de autismo em 15%.

Para ler mais sobre o assunto vá para a página da BBC Brasil.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Promoção no trabalho aumenta estresse

Segundo notícia da BBC Brasil, promoção no trabalho aumenta estresse, pois a pessoa passa a ter menos tempo de ir ao médico. A pesquisa detecta que a saúde mental dos administradores piora quando são promovidos, pois eles ficam sem tempo de ir ao médico.

Os resultados da pesquisa foram publicados no artigo Do People Become Healthier After Being Promoted?

O cientista chegou a afirmar que ser promovido não é tão bom quanto se pensa...

Veja a notícia completa na página da BBC Brasil.

domingo, 19 de abril de 2009

Depressão aumenta o risco de insuficiência cardíaca

Pacientes cardíacos que ficam deprimidos têm um maior risco de desenvolver insuficiência cardíaca, independentemente de eles tomarem antidepressivos, disseram os pesquisadores americanos na segunda-feira.

"Nossos dados sugerem que a depressão é um importante fator de risco emergente para insuficiência cardíaca em pacientes com doença cardíaca coronária," Heidi May do Intermountain Medical Center, em Utah, cujo estudo aparece no jornal do American College of Cardiology, disse em uma declaração.

Estudos anteriores mostraram que a depressão é cerca de três vezes mais comum após um ataque cardíaco e pacientes deprimidos têm maior risco de um segundo ataque cardíaco.

May queria ver se as doenças cardíacas e depressão tinham um efeito sobre a insuficiência cardíaca, que atinge mais de 550.000 pessoas nos Estados Unidos a cada ano a um custo anual de cerca de US$ 35 bilhões por ano, de acordo com a American Heart Association.


A taxa de insuficiência cardíaca foi de 3,6 por cento por 100 pessoas entre os que não desenvolveram depressão, mas foi de 16,4 por cento no grupo que desenvolveu. Embora muitos dos pacientes tomassem antidepressivos, isto não reduziu em nada os riscos de insuficiência cardíaca.

"Esse achado pode indicar que antidepressivos podem não ser capazes de alterar os riscos físicos ou comportamentais associados à depressão e insuficiência cardíaca, apesar de uma melhora substancial na sintomatologia depressiva," disse May.

Estudos demonstraram que pacientes cardíacos deprimidos são mais susceptíveis do que os outros a parar de tomar seus remédios cardíacos e são menos propensos a permanecer em dietas saudáveis para o coração ou fazer exercício regularmente.

A depressão também pode provocar alterações no organismo, incluindo a redução da freqüência cardíaca e aumenta no sangue fatores que incentivam a formação de coágulos sanguíneos.

Fonte: Reuters

quinta-feira, 16 de abril de 2009

ANATOMIA DE UMA EPIDEMIA: AUMENTA O NÚMERO DE DEFICIENTES MENTAIS DEPOIS DA INTRODUÇÃO DOS PSICOFÁRMACOS

Trechos do texto extraído do livro ANATOMY OF AN EPIDEMIC, escrito pelo jornalista estadunidense Robert Whitaker. O livro mostra como houve uma epidemia de doença mental (nos Estados Unidos) e como houve um grande aumento no número de pessoas interditadas por doença mental.

Anatomia de uma epidemia:

Psicofármacos e o Surpreendente Aumento da Doença Mental na América Robert Whitaker Cambridge, MA Ao longo dos últimos 50 anos, tem havido um aumento surpreendente na doença mental grave nos Estados Unidos. A porcentagem de americanos com deficiência por doença mental tem aumentado. (Pessoas interditadas com doença mental.) Quintuplicou desde 1955, quando Thorazine - lembrada hoje como a primeira droga "maravilhosa" da psiquiatria - foi introduzida no mercado. O número de americanos com deficiência por doença mental quase que duplicou desde 1987, quando Prozac-o primeiro em uma segunda geração de drogas maravilhosas para a doença mental, foi introduzido. Existem atualmente cerca de 6 milhões de americanos incapacitados por doença mental, e este número aumenta em mais de 400 pessoas cada dia. Uma revisão da literatura científica revela que é o nosso paradigma do cuidado baseado em fármacos que está alimentando a epidemia. As drogas aumentam a probabilidade de que uma pessoa se torne doente crônico, e induz novos e graves sintomas psiquiátricos numa significativa porcentagem de pacientes. A era moderna da psiquiatria tipicamente remonta a 1955, quando clorpromazina, comercializada como Thorazine, foi introduzida na medicina hospitalar. Em 1955, o número de doentes mentais em hospitais públicos atingiu uma marca histórica de alta de 558.922 e, em seguida, começou a diminuir gradualmente, e historiadores normalmente creditam este esvaziamento dos hospitais do estado a clorpromazina. Como Edward Shorter escreveu em seu livro em 1997, "A história da psiquiatria", "Clorpromazina iniciou uma revolução na psiquiatria, comparáveis com a introdução da penicilina na medicina geral "(Shorter, 1997, p. 255). Haldol e outros medicamentos antipsicóticos foram logo levados ao o mercado e, em seguida, antidepressivos e ansiolíticos. A psiquiatria agora tinha drogas que, acreditava-se, eram específicas para doenças específicas, assim como a insulina é para diabetes. No entanto, desde 1955, quando esta era moderna da psicofarmacologia nasceu, tem havido um surpreendente aumento na incidência de graves doenças mentais neste país. Apesar do número de doentes mentais internados talvez ter ido para baixo, todas as outras métricas utilizadas para medir incapacitantes da doença mental nos Estados Unidos aumentaram dramaticamente. E tanto é assim que E. Fuller Torrey, em seu livro "The Invisible Plague" (Em português: "A Praga Invisível") de 2001, concluiu que a insanidade tinha subido para o nível de uma "epidemia" (Torrey, 2001). Uma vez que esta epidemia tem andado juntinho com o crescente uso de psicofármacos, uma pergunta óbvia surge: Será que o nosso paradigma de cuidados baseados nos psicofármacos está alimentando esta praga da era moderna?

A EPIDEMIA

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (US Department of Health and Human Services) usa o termo "episódios de pacientes em cuidado" para fazer a estimativa do número de pessoas tratadas por ano com doença mental. Esta métrica traça o número de pessoas tratadas em hospitais psiquiátricos, instalações residenciais para os doentes mentais, instalações e atendimento ambulatorial. Em 1955, o governo relatou 1.675.352 episódios de pacientes em cuidado, ou 1.028 episódios por 100.000 população. Em 2000, episódios de pacientes em cuidado totalizaram 10.741.243, ou 3.806 por 100.000 habitantes. Isso é quase um aumento de quatro vezes per capita em 50 anos. Uma segunda maneira de avaliar esta epidemia é olhar para o número de deficientes mentais no país. Até a década de 1950, o número de doentes mentais internados deficientes era regular. Hoje, os deficientes mentais (interditados mentais) recebem normalmente um benefício, seja do Benefício do Seguro Social ao Deficiente (SSDI, Social Security Disability Insurance) ou do programa Renda de Garantia Suplementar (SSI,Supplemental Security Income), e muitos vivem em abrigos residenciais (como as residências terapêuticas) ou outros meios de habitação financiados pelo governo. Assim, o paciente que estava internado há 50 anos hoje recebe benefícios do seguro social, do SSDI ou SSI, e é essa linha de evidências que revela que o número de deficientes mentais aumentou quase seis vezes desde que Thorazine (clorpromazina) foi introduzido. Em 1955, havia 559.000 pessoas nos hospitais públicos mentais, ou 3.38 a cada 1.000 pessoas. Em 2003, houve 5 milhões 726 mil pessoas que receberam um pagamento ou do SSI ou do SSDI (ou de ambos os programas), e foram aposentados, quer por doença mental (segundo estatísticas do SSDI) ou diagnosticados como doentes mentais ( estatísticas do SSI). " Essa é uma taxa de incapacidade 19,69 pessoas por 1000 habitantes, que é quase seis vezes o que era em 1955. É também interessante notar que o número de deficientes mentais tem aumentado dramaticamente desde 1987, o ano que foi introduzido o Prozac. Prozac foi apresentado como o primeiro de uma segunda geração de medicamentos psiquiátricos que diziam que era muito melhor do que as outras gerações. Prozac e os outros ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina)substituiram os tricíclicos, enquanto que os antipsicóticos atípicos (risperidona, Zyprexa, etc.) Substituiram Thorazine (clorpromazina) e os outros neurolépticos comuns. O combinado das vendas dos antidepressivos e antipsicóticos saltou de cerca de US$ 500 milhões em 1986 para quase US$ 20 bilhões em 2004 (a partir de setembro de 2003 a agosto de 2004), um aumento de 40 vezes. Durante este período, o número de deficientes mentais nos Estados Unidos, como calculado pelos números do SSI e do SSDI, aumentou de 3 milhões e 331 mil pessoas a 5 milhões e 726 mil. Esse é um aumento de 149.739 pessoas por ano, ou 410 pessoas com deficiência recentemente pela doença mental todos os dias.

UMA CAUSA BIOLÓGICA PARA EPIDEMIA

A noção de que psicofármacos trabalham equilíbrando a química do cérebro foi levantada pela primeira vez no início dos anos 1960. Uma vez que se mostrou que Thorazine (clorpromazina) e os neurolépticos padrões podiam bloquear atividade da dopamina no cérebro, os pesquisadores seguiram a hipótese de que esquizofrenia era causada por excesso deste neurotransmissor. Assim, os neurolépticos, por bloquear os receptores de dopamina ajudam a normalizar o sistema dopaminérgico do cérebro. Uma vez que os tricíclicos levantavam os níveis de norepinefrina e serotonina no cérebro, os pesquisadores concluiram que a depressão fosse causada por níveis baixos dessas substâncias químicas cerebrais. A Merck, entretanto, comercializou seu Ansiolítico, a droga Suavitil como um "estabilizador de humor." Dizer que a droga era estabilizadora sugeria que as drogas fossem efetivamente curativas biológicas de doenças. No entanto, esta hipótese, que a droga química equilibraria a química anormal do cérebro nunca foi provada. Embora o público ainda seja informado de que a droga normaliza a química do cérebro, a verdade é que os pesquisadores não descobriram se pessoas com esquizofrenia tinham sistema dopaminérgico hiperativo (antes de ser medicado), ou que os pacientes diagnosticados com depressão sofriam com anormais baixos níveis de serotonina ou norepinefrina. Como o cirurgião geral dos Estados Unidos David Satcher reconheceu no seu relatório de 1999 sobre a saúde mental, as causas dos transtornos mentais "permanecem desconhecidas" (Satchee, 1999, p. 102). No entanto, os cientistas têm conseguido compreender como as drogas afetam o cérebro humano, pelo menos em termos dos seus mecanismos de ação imediata. Em 1996, o diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, National Instutute of Mental Health), neurocientista Steven Hyman, estabeleceu um paradigma para entender como todos os psicofármacos funcionam. Antipsicóticos, antidepressivos, e drogas ansiolíticas, ele escreveu, "criam perturbações nas funções dos neurotransmissores" (Hyman & Nestler, 1996, p. 153). Em resposta, o cérebro passa por uma série de adaptações compensatórias. Por exemplo, Prozac e outros antidepressivos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina) bloqueiam a recaptação da serotonina. Para fazer face a este entrave da função normal, as tonalidades do cérebro baixam todo o seu sistema serotonérgico. Neurônios liberam menos serotonina e diminuem o seu número de receptores de serotonina. A densidade dos receptores de serotonina no cérebro pode diminuir em 50% ou mais. Como parte deste processo de adaptação, Hyman nota, também há alterações nos percursos da sinalização intracelular a na expressão gênica. Depois de algumas semanas, concluiu Hyman, o cérebro do paciente funciona de uma maneira que é "qualitativamente, bem como quantitativamente diferente do estado normal "(Hyman & Nestler, 1996, p. 161). Em suma, psicofármacos induzem uma patologia. O neurocientista de Princeton Barry Jacobs tem declarado explicitamente sobre este ponto dos ISRS. Estas drogas, ele disse, alteram o nível de transmissão sináptica fisiológica para além da gama alcançada no âmbito (normal) ambiental / condições biológicas. Assim, qualquer mudança comportamental ou fisiológica produzida nestas condições mais adequadamente podem ser consideradas patológicas, mais do que o reflexo normal de papel biológico da serotonina. (Jacobs, 1991, p. 22) LEIA TODO TEXTO, EM INGLÊS, NO PDF ANATOMY OF AN EPIDEMIC. Se você sabe ler inglês, recomendo também o vídeo abaixo. É um trailer do documentário "Take These Broken Wings: Recovery from Schizophrenia Without Medication" (Em português: "Pegue Essas Asas: Recuperação da Esquizofrenia Sem Medicação"). O vídeo tem legenda em inglês. Robert Whitaker também participa deste documentário. Aviso: não se deve tentar deixar de tomar medicação por conta própria. Para deixar de tomar qualquer medicação psiquiátrica é necessário supervisão médica.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Microchip que avisa ao médico se você tomou sua medicação

Microchips em pílulas em breve poderão permitir que os médicos saibam se um paciente tomou a medicação. Os sensores digestíveis, de apenas 1 milímetro de largura, permitiriam clínicos gerais e cirurgiões poder acompanhar pacientes fora do hospital ou da cirurgia.

Os desenvolvedores dizem que a tecnologia poderia ser particularmente útil para os doentes psiquiátricos ou idosos que dependem de um complicado regime de drogas - e correm perigo, se esquecem de tomar uma dose ou tomam na hora errada.

Também poderia ser utilizado para os doentes crônicos, tais como pessoas com doenças cardíacas, a fim de estabelecer se drogas caras estão funcionando ou se elas estão causando efeitos colaterais potencialmente perigosos.

Os sensores poderiam ainda lembrar as mulheres de tomar a pílula anticoncepcional, no caso de esquecimento. O medicamento 'inteligente' funciona ativando uma inofensiva carga elétrica, quando as drogas são digeridas pelo estômago.

A notícia acima foi retirada do site de notícias MAIL ONLINE. Para ler a notícia na íntegra vá para o site MAIL ONLINE.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Gene tem papel importante na esquizofrenia

Notícia da BBC fala de pesquisas realizadas por americanos e escoceses que indicaram um único gene como a chave para o desenvolvimento e o tratamento da esquizofrenia. Trata-se do gene DISC1.

A equipe americana demonstrou que o gene DISC1 desempenha um papel importante no desenvolvimento normal do cérebro e no crescimento de neurônios. Mas, uma versão incorreta do gene pode atrapalhar o processo.

Quando os níveis de DISC1 foram reduzidos em ratos adultos, as células cerebrais falharam em se dividir, e os animais desenvolveram sintomas parecidos com os da esquizofrenia.

Tais pesquisas aumentam as esperanças na descoberta de tratamentos mais eficazes contra a esquizofrenia. Mas ainda acredita-se que se investe pouco em pesquisas dos transtornos mentais.

A organização não-governamental Rethink, que trabalha com problemas mentais, descreveu o estudo como um importante passo para se entender a esquizofrenia, mas apenas um pequeno passo.
"Com doenças mentais recebendo apenas 6,5% do investimento para pesquisas na Grã-Bretanha, deverá levar um longo tempo para que essas descobertas sejam transformadas em grandes avanços", disse um porta-voz da ONG.
"Se nós realmente quisermos desvendar as complexas causas da esquizofrenia e desenvolver tratamentos mais eficazes, nós precisamos de um nível de investimento para pesquisa proporcional ao enorme custo humano e econômico da doença."


Veja a notícia na íntegra no G1 - Portal de Notícias.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Bullying - Brincadeira violenta

Uma pesquisa divulgada pela organização não-governamental Internacional Plan, que atua em 66 países em defesa dos direitos da infância, apontou que 70% dos 12 mil estudantes brasileiros disseram ter sido vítimas de violência escolar. Outros 84% desse total apontaram suas escolas como violentas.

E esse não é um fenômeno nacional. A pesquisa mostra que mais de um milhão de crianças em todo o mundo sofrem algum tipo de violência dentro da escola, desde castigos corporais até o bullying, um fenômeno caracterizado por atos intencionais de violência física e psicológica cometidos de forma frequente e repetida por um ou mais estudantes contra um outro, e que causa dor e humilhação a quem sofre.

Brincadeira violenta

“O bullying sempre existiu, não é um comportamento novo. Mas, nesta crise de valores em que vivemos, diminuiu o respeito pelo outro. Existe o bullying em todos os ambientes, não apenas na escola”, afirma Patrícia Lins e Silva, educadora que estuda o tema há vários anos.
Para ela, a família tem uma enorme responsabilidade pelos comportamentos dos filhos: “Faz parte da educação ensinar os filhos a serem solidários, a respeitarem o outro. O bullying não é ‘brincadeira de criança’. É uma atitude arrogante que pode permanecer por toda a vida”.

As consequências são graves, não só para as vítimas como para quem pratica o bullying. Segundo o estudo da International Plan, quem sofre os ataques perde o interesse pelo estudo e teme ir para a escola. Essas vítimas podem ter cinco vezes mais chances de sofrer de depressão e, em casos mais graves, correm mais risco de usar drogas e até de se matarem.

Já quem pratica o bullying geralmente é um líder na turma que gosta de colocar apelidos e humilhar os mais fracos. Ele também deve receber atenção psicológica pois, no futuro, pode manter esse comportamento intimidador e se tornar um praticante de assédio moral e pode até mesmo usar a violência e adotar ações criminosas para conseguir o que quer.

Conhecendo o problema

Patrícia Lins e Silva alerta que, dentro do ambiente escolar, todos os alunos de uma turma devem ser responsáveis pelos colegas. A escola deve criar essa idéia de respeito pela coletividade: “O grupo deve proteger o agredido e ajudar o agressor a compreender que o convívio exige respeito. Isso requer um trabalho quase diário de reflexão que deve ser orientado e estimulado pelos adultos responsáveis pela turma”.

Porém, muitas vezes é difícil identificar o bullying entre as brincadeiras inerentes à idade das crianças. Até porque geralmente as vítimas não revelam o problema.

O exemplo é o melhor

Para a educadora Patrícia Lins e Silva, todos os esforços que visem uma melhor qualidade da educação oferecida hoje são bem-vindos. No entanto, ela destaca que esse é um dever de todos. “Mudar esse quadro de violência escolar implica mobilizar todo o país numa ação vigorosa e duradoura, para que as próximas gerações tenham uma boa formação escolar. A violência dentro da escola é inadmissível”.

Acompanhe a matéria completa clicando aqui.

domingo, 5 de abril de 2009

Problemas emocionais podem causar doenças em todos os órgãos e sistemas do organismo.

Da Emoção à Lesão; um guia de medicina psicossomática é um livro que mostra, inicialmente, na parte Da Emoção, nossos mecanismos emocionais e como nos relacionamos com a realidade e com nossas vivências. Na segunda parte, à Lesão, mostra as influências das emoções sobre alterações e patologias do organismo todo, descrevendo as principais doenças psicossomáticas.

Para a medicina psicossomática interessa saber como a pessoa se relaciona com sua realidade, seu mundo em todos os sentidos; o trânsito caótico das ruas, com as perdas, com os compromissos do cotidiano, com os poluentes, com seus vícios e suas dependências, com a saúde dos familiares, com sua auto-estima, com seu próprio organismo e assim por diante.

Ao invés de dizer que o trânsito me irrita, fulano me ofende, beltrano me aborrece e assim por diante, podemos redimensionar o discurso para eu me irrito com o trânsito, eu me ofendo com fulano, eu me aborreço com beltrano.

A diferença dessa atitude pode ser brutal, na medida em que trazemos para nós a maior parte da responsabilidade sobre nossos sentimentos e não, como estamos acostumados, a atribuir nossas emoções e sentimentos exclusivamente ao mundo, ao destino, aos outros...

Emoção

Fonte: Site Psiqweb

sábado, 4 de abril de 2009

As Doenças Mentais têm "cura" ou só podemos falar em controle?

Um informativo do site Psiqweb:

"As Doenças Mentais têm cura tanto quanto as doenças da cardiologia, da endocrinologia, da reumatologia, da neurologia e assim por diante. A medicina tem como primeira obrigação definir se a pessoa que a procura É ou ESTÁ doente. Se a pessoa ESTÁ doente a possibilidade de cura definitiva é muito maior do que os casos onde a pessoa É doente.

Para entender melhor devemos comparar os problemas da psiquiatria com, por exemplo, a hipertensão arterial: quando, exatamente, podemos falar em cura da hipertensão arterial? Quando, exatamente, podemos falar em cura da diabetes?... do reumatismo?... da asma?...

Como se vê, a medicina está cheia de situações onde, felizmente, é possível controlar a pessoa portadora de alguma doença para que viva o mais próximo possível do normal. Em outros casos podemos falar em cura, como por exemplo, na pneumonia (e outras infecções), na cólica de rins, na diarréia... etc. São situações onde a pessoa ESTÁ doente.

As doenças mentais mais atreladas à maneira da pessoa ser, mais inerentes à sua personalidade podem ser muito bem controladas pela psiquiatria, enquanto as situações reativas, onde a pessoa apresenta uma alteração repentina em seu psiquismo, podemos falar mais facilmente em cura definitiva."

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Estudo revela que risco de anorexia pode ser previsto

Pesquisadores britânicos acreditam que milhares de meninas são predispostas a sofrer de anorexia devido à forma como seus cérebros se desenvolveram no útero.

De acordo com os pesquisadores, as crianças devem ser observadas aos oito anos de idade para identificar os sinais que as tornam mais vulneráveis aos fatores de risco para o desenvolvimento da anorexia, como o culto à magreza.

O estudo contou com a participação de mais de 200 pessoas que sofrem da doença no Reino Unido, EUA e Noruega. Quase todos os participantes eram mulheres com idades entre 12 e 25 anos. Os pesquisadores descobriram que cerca de 70% dos pacientes haviam tido algum tipo de dano nos neurotransmissores e/ou sofrido mudanças sutis na estrutura dos seus cérebros.

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terça-feira, 31 de março de 2009

Depressão na adolescência

Um painel médico nomeado pelo governo dos EUA está solicitando aos profissionais de saúde que façam uma avaliação de rotina para identificar adolescentes com depressão.

De acordo com a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA, a maioria dos casos de depressão não são diagnosticados, nem tratados. Estima-se que 6% dos adolescentes norte-americanos são clinicamente deprimidos.

O painel médico afirma que, como a depressão pode levar a uma tristeza persistente, isolamento social, problemas escolares e até mesmo ao suicídio, é fundamental identificar a doença para tratá-la o mais cedo possível.

Leia a notícia em inglês, clicando aqui.